sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ARTIGO DO GUI: "YOUR MAJESTIC SATAN"



YOUR MAJESTIC SATAN

Dizem que futebol é coisa de gentinha. Yes! Sir! Me incluo nisso. Homo sapiens necessita  de DEUSES, pecador, imundo, politeísta. Babilônia, Meda-Pérsia, Grécia, Roma. As antigas batalhas com carnificina, aos poucos transformaram-se, ao longo da história em diplomáticos, elegantes e plásticos esportes das multidões. Se na guerra e no amor vale tudo, então quem engana,rouba, mata, falsifica, deturpa, trai, suborna...GANHA. O Coliseu de Roma se transmutou no MARACANÃ, templo do CRF MENGÃO, lançados as feras, NeroTeixeirASanches$MSI$KIA lavando$$SA.Senador Pedro Simon dentro do senado: Corinthians ROUBOU o INTERNACIONAL 10 JOGOS. Sejamos+ou- honestos: O dinheiro compra tudo?OK. São Paulo tem +$$?OK.Então São Paulo rouba?OK.Existe Eixo Rio-São Paulo?OK. Mineiros e Riograndenses são prejudicados?OK.Algo a reclamar? NÃOO!! Porque sempre FLA-FLU,BOTA e VASCO roubaram do OLARIA, MADUREIRA, BONSUCESSO e SÃO CRISTÓVÃO. Ainda assim milhares de seres de todas as estirpes, desmbargadores inúteis, médicos displicentes, engenheiros analfabetos, advogados ladrões,  querida gambanzada corintiana, maravilhosa naçãofavelãomengão, veneram o MARACANÃ. Pseudo-domesticados, mordem os dentes xingam, limpam o nariz, coçam o pé, descarregam suas agressividades nos 90 minutos de extase sexual, jorrando o gozo quando gritam GOOOOLLL!!!!!! Equivalem a100 anos de psicanálise ou 1 tonelada de RIVOTRIL. Mas eis que aparece o Imperador Constantino, poço de inveja incorporado com Satanás,1/3 de anjos caídos, principados,potestades, hostes espirituais demonios auxiliares com 2 bandeiras 1 em cada campo. Cetro, coroa, coberto de pedras preciosas, cornalina,topázio,ônix, crisólita, berilo, jaspe, safira, esmeralda, granada e ouro.Querubim da guarda, sêlo da perfeição, cheio de sabedoria, perfeito em formosura, com o folego de 1 APITO calam a felicidade de 7 bilhões de flamenguistas. Expulsa o jogador que de joelhos, algemado, chora implorando clemência. Implacável ele urra! Sou maior que DEUS, vou subir acima das nuvens, marco penalty quando quero, expulso,humilho,quero ser +famoso que vocês, infalível, encarregado de mudar osTEMPOS e as LEIS  A máfia paulista da nossa NY, inconformada em não ter os predicados da CIDADE MARAVILHOSA, roubou ano passado dos 4 grandes do RIO. O VASCO, maior prejudicado chegou a erguer outra taça.Ora, agora queixam-se que o FLU comprou as últimas 4 partidas,mas esqueceram-se que foi roubado nos 4 primeiros jogos, inclusive contra o próprio 2º ATLÉTICO, que seria alcançado. Juiz anulou GOL da vitória num jogo de 6 pontos. Chegou Domingo SUNDAY Deus Sol, sigam-me toda galera católica, toda galera protestante, toda gambanzada curintiana, toda comunidade rubro-negra. Fui encarregado de mudar os tempos e as leis, principalmente o 4º mandamento. Ezequiel 28:11-19.LEMBRA-TE do dia de SÁBADO SABBAT. Abençoado, Santificado, Senhor DEUS descansou.
Francisco Apocalypse Dantas
Médico Escritor
E-Mail: apocalypsedantas@uol.com.br

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ARTIGO DO JEZER - 9



 MOMENTOS LÚDICOS DA VIDA
Hoje assisti, parte de uma película chamada “Menino Maluquinho”, que nada tem a ver com o personagem criado por Ziraldo. Foi ambientado em São Paulo, no interior e duas cenas me chamaram a atenção pela sua inusitada maneira de ser criadas. A primeira delas, foi quando o personagem principal (menino maluquinho), foi levado com dois amigos (aliás não um amigo, mas o melhor amigo – Bocão e sua irmã mais nova), para a casa da avó, que residia em uma fazenda, pelo avô de Ultraleve (no início dessas aeronaves), pilotado por este e, segundo comentário da avó, tinha sido piloto da TABA (Transportes Aéreos da Bacia Amazônica – empresa já extinta) e as crianças encontraram uma mesa repleta de doces, biscoitos e guloseimas preparadas pela avó. Resultado: ninguém dormiu naquela noite, já que tiveram uma baita de uma dor de barriga e por incrível que possa parecer, tomaram doses cavalares de “elixir paregórico” única mediação disponível, cujo rótulo no vidro foi mostrado ostensivamente. Não fazia mal naquela época.
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Outra cena, hilária, foi quando se reuniram os cinco melhores amigos, ou seja, Maluquinho, Bocão e mais três que não me recordo os nomes, na casa de um deles e após trancarem a porta, se colocarem em baixo de um lençol, deram início a um “torneio de puns”. O mais fedido seria o vencedor. Um cada sua vez, se posicionava e “mandava ver” e recebia dos demais uma nota. O último pertenceria a Bocão, dono da casa e do quarto, que resolveu dar um “arroto” e foi o vencedor, já que tinha comido duas cebolas antevendo o concurso.
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Se tal filme tivesse acontecido hoje, haveria, seguramente, as patrulhas da vida, dizendo, que eram crianças sem educação, que as minorias não eram respeitadas, que os doces eram maléficos para a saúde etc e tal.
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Parodiando um título de um filme, finalizo – Como era gostoso o meu Brasil” de uma infância diferente da de hoje, onde as crianças não pensam em brincadeiras simples como a narrada, para perderem tempo, solitárias, por horas a fio em computadores e jogos de guerra, como até esquecem de ensinar nas escolas que o dia 12 de outubro é comemorado como dia do Descobrimento da América.
Jezer Menezes dos Santos
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

CONTO DO MUNIR 96

DUAS HISTÓRIAS TRISTES E PARECIDAS
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Primeira história.
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Fernando Kingkber tem cinquenta e quatro anos, neurocirurgião, extremamente competente, segue sua rotina de vida, cuida de sua aparência física, alto, bem apessoado, faz musculação em uma academia próxima à sua casa no final do Leblon.
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Casado com uma linda mulher, não tinha filhos.
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Ao cair da tarde, passeia com seu pequenino poodle, usa uma roupa justa de lycra preta, própria para ginástica, em contraste com a brancura do cachorrinho.
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Bem sucedido, algumas frequentadoras do mesmo ginásio, o enxergavam como o homem ideal.
Sumiu por um tempo; sua ausência foi sentida.
Era figura para ser notada.
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Simpático, tinha sempre um sorriso amável para porteiros e pessoas com quem cruzava nos arredores.-Lembrava bastante o hábito americano de cumprimentar os vizinhos de rua.
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A princípio, pensou-se que houvesse viajado, ou mudado.
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Reapareceu com a mesma roupa, ainda levando o poodle, porém, de mãos dadas com a mulher.
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O andar de atleta, os músculos ressaltados pela lycra apertada.
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Havia, entretanto, uma mínima diferença, seu corpo parecia mais rígido.
Tomou um cafezinho no Armazém do Café, havia outro casal conhecido, ficaram conversando.

Estávamos em junho, fazia frio e chovia bastante.

O Dr. Fernando deixou de ser visto.

Voltou a caminhar em julho, quando os dias se tornaram luminosos, a mulher ao seu lado, levava o cachorrinho, o outro braço apoiava o marido.

O médico já não cumprimentava as pessoas, seu rosto pálido tornara-se inexpressivo.

O olhar, perdido no infinito do horizonte.

Ainda mantinha o porte esguio, resultado de anos de esporte.

Continuava tomando seu cafezinho com o casal amigo, a dificuldade no falar se manifestava, ficava difícil entendê-lo, sua voz era baixa e pastosa.

 Os primeiros tremores apareceram.

Em agosto, seu andar era oscilante. A esposa o amparava. O rosto parecia uma máscara de cera.

Estava usando óculos, o corpo curvado, ainda usava a lycra preta,agora folgada. O cãozinho preso em uma de suas mãos.

Em setembro, reapareceu. Muito magro. Envelhecera.

 Agora, acompanhado pela mulher e uma enfermeira. O poodle já não os acompanhava.

Em outubro, não foi mais visto. 
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Segunda história
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Natale tinha vinte e três anos quando prestou concurso para Juíza no STJ. Loura, olhos cor do céu, em um dia de primavera sem nuvens.
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Morava em uma mansão no Alto da Boa Vista. Não descuidava de seu físico, em casa tinha uma pequena academia de ginástica e na piscina quase olímpica, nadava no mínimo quarenta e cinco minutos.
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O rosto de linhas angulosas em simetria perfeita, a tornava uma beleza singular e mostrava a determinação de uma vencedora.
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Foi uma das pioneiras das juízas e delegadas lindas que passaram a integrar o nosso Judiciário e abrandavam as sentenças e prisões com sua beleza.
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Em sete anos passou a desembargadora.
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Casou-se, ainda juíza, com um capitão médico do Corpo de Bombeiros.

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Demetrio Abeid estava com noventa anos, empresário, enriquecera com a abertura da Zona Franca de Manaus, para onde transferira suas empresas.
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Abeid havia parado de trabalhar dois anos atrás, tornara sócios os seus empregados e sequer se preocupava com os lucros que mensalmente eram depositados em sua conta bancária.
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Casado há sessenta e cinco anos, mudara-se para o Leblon. Vivia com a esposa em uma cobertura na Delfim Moreira. Não tinham filhos, envelheceram com saúde.
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Certa madrugada, ele e a esposa foram acordados por alguém vestido como um astronauta. O homem, alto e forte, carregou ambos, com rapidez por uma densa nuvem quente de fumaça, salvando-os do incêndio que destruía voraz o apartamento.
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Natale, casada há cinco anos, dividia seu tempo entre o lar e o Judiciário, três filhos, era feliz; por sua genética viveria de forma saudável por longo tempo. Os pais pareciam prever assim.
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Seu salário de desembargadora somado ao do marido, agora coronel, sustentava com folga as necessidades da família.
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Os primeiros sinais apareceram antes de completar cinquenta anos, ainda moravam na Tijuca. Quase imperceptíveis, pequena dificuldade em controle de movimentos, tremores rápidos que desapareciam ao segurar um objeto. Fora diagnosticada com o Mal de Parkinson.
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Demetrio ficara viúvo, faleceria um ano depois da morte da mulher. Em seu testamento, deixaria a cobertura da praia do Leblon e mais alguns milhões de dólares para o oficial do Corpo de Bombeiros, que resgatara sua vida tempos atrás.
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A família mudou-se para a Delfim Moreira.
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O marido de Natale, herdeiro do milionário, era torcedor fanático do Flamengo. Nos dias de jogo de seu time, promovia churrascos à beira da piscina, regados a uísque de doze anos. Se seu time estivesse perdendo, palavrões eram gritados e possivelmente ouvidos até na praia.
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Nessas ocasiões, apareciam as amigas de Natale, algumas já separadas, que, às vezes, manifestavam um interesse demasiado, um tanto cruel, pelo dono da casa, bem apessoado e rico.
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Natale aproveitou por pouco tempo a vista do mar. Sua saúde se deteriorava com a doença. Seus talheres foram adaptados para que tivesse firmeza em segurá-los, bebia com a ajuda de canudinhos.
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Vivia sonolenta face à dificuldade de conciliar o sono.Entretanto mantinha-se lúcida. Teve que se aposentar precocemente.
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Raramente, saia com a família para passear no calçadão.
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Os churrascos continuaram, mas só as amigas marcavam agora a presença feminina.
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EPÍLOGO
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Natale e Fernando foram selecionados, devido a seus excelentes históricos físicos, por uma Junta Médica para serem submetidos ao tratamento experimental do Mal de Parkinson por células troncos.
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Os resultados pareciam promissores. Ambos estavam respondendo aos estímulos cerebrais e capacidade motora.
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Entretanto, alguns efeitos colaterais estranhos passaram a surgir. A personalidade de Natale se alterava.
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Ela, pessoa tranquila que era, manifestava uma extrema compulsão por sexo. O psicoterapeuta que a acompanhava assustava-se, à medida que o tratamento prosseguia.
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Os médicos pensaram em interromper o tratamento, a família consultada preferiu, na palavra do marido, prosseguir.
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Por uma dessas ironias do destino, o Dr. Fernando fora o pioneiro dos estudos sobre esse processo de cura.
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Havia até mesmo previsto essa mudança de comportamento,face às novas sinapses nervosas que seriam criadas.
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O comportamento psicológico dele não sofria alterações.
A evolução da terapia, embora lenta, mostrava um caminho de sucesso.
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CONTOS DO MUNIR 95


Furinho no Coração*

MÃE
Rio de Janeiro

O menino era clarinho e muito magrinho. Primeiro filho. A mãe, pouco experiente, embora tivesse lido todos os livros sobre o assunto: “A agenda da Gravidez”, de A. Christine Harris; “Bebê: manual do proprietário”, Louis Borgenicht e Joe Borgenicht e outros além do clássico “A Vida do Bebê” de Rinaldo De Lamare.

O gurisinho era fraquinho, chorava muito, quase sempre com febre, aos seis meses tinha o peso de neném de três. Foi internado uma vez com pneumonia. Era tão branquinho que se viam as veias, os cabelos de um louro brilhante, parecia o pequeno príncipe.

Certa vez o avô comentou que o menino era muito pequeno, a mãe ficou meio zangada: o filho era dela, não se importava se ele não crescesse, sempre iria amá-lo.

O diagnóstico era virose, a mãe levou algum tempo até deixar a ética e consultar outro médico. Doutor era um título mais forte que General no tempo do regime militar.

O novo pediatra, ao auscultar o garoto, achou que seria melhor consultar um cardiologista. Ele tinha um sopro muito forte de coração.

A Doutora Rosa Célia, já especializada em cardiologia infantil, detectou uma anormalidade congênita.

Um exame mais detalhado mostrou que seu coração tinha uma comunicação que não permitia o bombeamento correto do sangue, existia um buraquinho entre as duas câmaras (átrios), misturando o sangue venoso e o arterial.

O menino fazia parte “dos meninos azuis”, nome como o médico Vivien Thomas ficou conhecido, americano, pioneiro da cirurgia dessa anomalia. Não era formado em medicina, era negro e carpinteiro e tinha o sonho de ser doutor. Foi contratado por um laboratório como zelador. Seu chefe, um cirurgião, ao ver suas qualidades com os instrumentos, o transformou em seu assistente, isso na época da discriminação racial nos Estados Unidos. Muitos anos mais tarde, recebeu seu título de Doutor e professor de Cirurgia na universidade Johns Hopkins.

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São Paulo - Hospital

O menino de sete meses está para ser operado, o cirurgião Miguel Barbero, um argentino especializado em operações cardíacas infantis, prepara-se para mais uma luta na sala de cirurgia.

A mãe leva o filho à sala de cirurgia. Todos choram, menos ela, e pergunta:- Por que vocês estão chorando? Ele vai ficar curado!

Sete horas de circulação extracorpórea.

Sete horas de angústia.

Sete horas de orações.

Sete horas de esperança.

Sete horas de prantos.

Sete longas horas.

Sete horas contadas segundo a segundo.

A mãe queria tê-lo de volta em seus braços. Anoitecia.

A porta da sala de cirurgia se abre, o médico aparece, traz um sorriso na face, iluminando o ambiente.

A mãe corre ao seu encontro, quer a confirmação de que tudo está bem, o doutor a abraça:- Só tem uma coisinha e, antes que ela se assuste – Seu menino não tem mais sangue azul.

Palavras da Mãe:-“Quando o Budi saiu da sala de cirurgia, olhou para mim meio grogue e deu um sorrisinho!”


Notas do autor:

 Hoje, Budi tem 20 anos, estuda engenharia na PUC, rapaz de estatura normal, forte, saudável, pratica esportes, bonito e muito amável.Uma pequenina cicatriz no peito, só quem conhece esta história consegue notar. Seu avô tem orgulho dele.

A Doutora Rosa Celia dirige hoje um hospital dedicado à cardiologia infantil.

O Médico Miguel Barbero continua a operar em São Paulo e no Rio de Janeiro. Da mesma forma que a Doutora Rosa Celia, também atende crianças carentes.

Um tio já adulto, prometeu que iria fazer primeira-comunhão e fez.

Uma das avós prometeu que iria parar de fumar e parou.

Doutor Vivien Thomas, médico dos “meninos azuis”, é pouco conhecido, a cirurgia em que foi pioneiro é chamada “Blaclock Taussig” em homenagem ao cirurgião e a pediatra participante das pesquisas. Vivien Thomas trabalhou junto com o Doutor Blaclock por mais de trinta anos .

*Baseado em uma história real.

Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CONTOS DO MUNIR - 94

A CARTA DE AMOR

Danielle, PhD em economia e administração, executiva de uma grande empresa, divorciada, só tinha seu pensamento voltado para o trabalho, afastava as recordações e desejos femininos em longas caminhadas ou na igreja. Mesmo assim, era surpreendida e se deixava levar pelas lembranças dos namoros de sua juventude, latentes em seu ainda belo corpo de mulher. Viajava em seus sonhos, na busca do companheiro ideal. Havia sempre algo de errado com alguém que dela se aproximasse.  Perguntava a si mesma, por que isso não acontecia quando mocinha.

Danielle, apesar de vestir-se sóbria e elegantemente em suas roupas de diretora, atraia a atenção masculina. Quando longe da formalidade, era alvo dos olhares de ambos os sexos.

Como a empresa tinha interesses no Rio, mantinha um apartamento no Leblon.

Certo dia em uma de suas viagens a serviço, notou um homem que lia Martha Medeiros em uma Livraria bem próxima a sua casa. Seu pensamento feminino achou aquilo diferente, aproximou-se para ver qual o livro. Era “Fora de Mim”, história do fim de um relacionamento. Já tinha lido o livro, acreditou que estava diante de um sincronismo, ela ainda confusa com o encaminhamento de sua vida de mulher só.  O homem percebeu sua presença, interrompeu sua leitura e lhe ofereceu o exemplar. Ela recusou ruborizada, sem saber por quê. Começaram a conversar e tomaram juntos um capuchino, ao final trocaram seus e-mails e telefones, escritos, o dele em um pedaço de papel, o dela em um cartão da empresa.

Pouco tempo depois, estavam apaixonados, a distância e o trabalho, entretanto, os mantinha afastados, embora estivessem sempre se comunicando por e-mails com juras de eterno amor.

Então surgiu a ideia de uma carta, representava algo mais tangível, trazida junto ao coração, podendo ser lida a qualquer hora em qualquer lugar, trazendo o perfume e a imagem viva de sua amada.

Danielle escreveu:

“Querido

Neste momento, me transporto ao meu tempo de aluna do Sacré- Coeur de Marie, lembrei-me porque estou usando uma roupa parecida com meu uniforme. Eu tinha dezesseis anos, meu pai era falecido, creio que eu era bonita e muito paquerada, não me recordo como a gente dizia naquele tempo. O fato, é que não dava trela pra ninguém, brincava muito de namorar, mas nada de muito sério. Admito que talvez fosse um pouco levada. Mamãe era muito rigorosa e meus horários limitados. Lembro-me de que, certa vez, cheguei um pouco mais tarde, ela disse que iria me esperar na porta de casa, de camisola, com uma vara nas mãos. Hoje, divorciada, fui apresentada a uma série de pretendentes pelos meus irmãos; um jornalista, um senador e um médico mandaram-me e-mails românticos, não adiantou. Teve também o indiano, um homem culto, elegante e riquíssimo com quem tivemos um almoço de negócios, mas que usava patchouli, o que me mantinha no mínimo a um metro de distância. Na hora da foto foi insuportável. Ele deve ter percebido e naquela mesma noite enviou para minha casa um monte de orquídeas perfumadas.

Contei essa história para provocá-lo, mas omiti de propósito o patchouli, e você ficou enciumado.

Até que o conheci.Não sei o que aconteceu! O fato é que senti um tremor quando me aproximei de você naquele dia. Já faz mais de ano, e como o tempo tem sido cruel para nós! Posso dizer assim?

Sinto tanta saudade do nosso amor, do cheiro de seu corpo já impregnado do meu sexo e do meu perfume, e como isso me faz falta! Mais ainda, quando, na exaustão do nosso amor, meus joelhos se dobram e você segura minha cabeça, aperta-a de encontro ao seu corpo e me pede para amá-lo um pouco mais.

Ahan....Que saudades, querido!!!

 Há noites em que mal consigo dormir, alguns dias atrás tive que ir ao hospital, tão acelerado ficou meu coração.

Meu amor por você é tão grande que, se eu o perder será morrer em vida, “È a pior morte, a do amor”;*

Quero que leia com o mesmo carinho que eu escrevi, e para sentir a minha presença, uma gotinha do meu perfume e o beijo que ela leva.

Eternamente sua...”.

                     Danielle

Danielle beijou o papel azul da carta, deixando a marca de seus lábios, teve o cuidado de abrir ligeiramente sua boca.

Dobrou com delicadeza a folha que havia escrito, colocou-a dentro de um envelope aéreo, e depois em outro da empresa, sobrescritando apenas com as iniciais e o endereço para quem enviava.

Chamou o boy e pediu que enviasse a carta registrada.

Ágata, a analista financeira, a tinha observado; apesar de casada, nutria uma verdadeira obsessão por Danielle. Interceptou o rapaz e disse que ela mesma levaria a carta. Pela internet, aprendera como os censores das prisões abriam as cartas sem rasuras. Fez uma cópia. Um pouco aborrecida, por não ter o perfume e a marca de batom original de Danielle. Certificou-se que o cheiro da benzina usada não passara para a carta.

Guardou a cópia com tanto carinho, como se a tivesse recebido.

 A original, apesar de ter sido remetida, nunca chegou ao seu destino.

* Martha Medeiros “Fora de Mim”

Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CONTOS DO MUNIR 93

UM CONTO ÁRABE *

A princesa Nadia acordou chorando.  O seu príncipe Rachid, havia partido na madrugada, montado em seu corcel negro comandando um batalhão de cavaleiros em cavalos escuros como a noite. Iria enfrentar a horda de bárbaros chefiada por Nahoun, o Cruel, que sacrificava indistintamente nas aldeias, homens, mulheres e crianças em seu avanço pelas planícies da África do Norte.

Nadia estava só, os vândalos das cercanias, sabendo da ausência de Rachid, do palácio, se uniram para atacá-lo e saqueá-lo. A Guarda estava reduzida e os homens que restaram eram velhos ou quase incapacitados para combate.

Eram cinco grupos diferentes, inimigos entre si,que se uniram pela cobiça. Cada qual com seu respectivo líder.

Duas facções escalaram as muralhas fortificadas.

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Branca, sua roupagem; branca sua montaria, Nadia, tendo nas mãos a cimitarra, lidera a guarnição de defesa; a outrora meiga princesa se transforma em uma brava guerreira.

Nadia, Anjo em Luz, Nadia, a Primeira, honrando seu nome em árabe.

Assustados com aquela terrível aparição destruidora, lembrando a Indesejada Senhora das Trevas, os invasores, dominados pelo medo, se deixaram abater. Aprisionados foram seus líderes e alguns dos grupos.

Os anciãos da corte aconselharam à Princesa que libertasse os líderes e os prisioneiros, em troca de uma proposta de Paz.

Nadia concordou, aceitando seus conselhos em parte;

Brandindo a cimitarra com perícia, degolou de um só golpe um dos lideres, e logo a seguir o outro

Cavalgando pela muralha, a cimitarra manchada de sangue refletindo a luz do sol, em uma das mãos, e tendo na outra, a cabeça pendente de um dos chefes abatido, jogou-a na direção das turbas inimigas, repetindo o gesto com a do segundo.

A seguir, mandou que libertassem os demais, depois de despojados de suas vestes, que fugiram em desabalada carreira.

As tropas restantes, face à reação inesperada recuaram desarticuladas, tomadas de pavor.

Alguns dias depois, regressa ao palácio o Príncipe, após destruir Nahoun, o Cruel, e seus mercenários.

Encontra sua amada e doce esposa Nadia, que o esperava tranquila e feliz e o beija com seus lábios de mel.

*Inspirado na história de Inés de Suárez, heroína chilena, amante de Pedro de Valdivia. Ou teria sido Inés que se inspirou em Nadia, uma vez que o conto é de um século a.C.
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com