terça-feira, 4 de agosto de 2015

CONTOS DO MUNIR 011/2015



Professor de Física 2
Com um pouco de tom vermelho
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Recebi do dono da Mercedes uma indenização que me permitiu viajar para Amsterdam em classe executiva e passear pelas ruas de luz vermelha.
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Com o seguro de vida de Leonilda me mudei para uma cobertura no Leblon. Continuei com as minhas aulas, só que agora tinha carro com motorista. A pensão da falecida me propiciava esse luxo.
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Três meses se passaram até que me fossem entregues, já no novo apartamento, os pertences de Leonilda, deixados por ela em sua sala de trabalho: muitos livros de administração, diplomas de cursos por ela realizados e seu computador pessoal. Uma carta esclarecia a demora da entrega.
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O micro ficou muito tempo no meu escritório junto ao terraço onde eu tinha a minha rede, e escutava bem cedo pela manhã os bem-te-vis formando sua orquestra. Tentei acessá-lo, tinha senha que eu ignorava, dominado pela curiosidade, providenciei um técnico. A rapidez com que ele descobriu o código me espantou, apesar de eu não ser leigo no assunto.
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Antes não tivesse aberto o PC.
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Lá estava uma Leonilda que eu desconhecia.
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Um label chamado Red Lights além de muitos filmes pornográficos de várias nacionalidades, mostrava a minha mulher em transas cinematográficas com rapazes e até moças, onde Leonilda usava as mesmas fantasias quando comigo, mas nesses vídeos ela ainda se travestia na parte masculina.  
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Outra pasta com o nome Boss, a mostrava no gabinete do Diretor do departamento a praticar strip-tease e a dança do pole na luminária vertical que decorava o ambiente. Era um homem bem mais velho que Leonilda, já falecido.
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Vi, então, que seu curso de especialização tinha sido realizado com aulas práticas que ela frequentava com regularidade.
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Um número e letras apareciam em um título com o nome Suíça, deduzi que fosse de uma conta, as letras, as iniciais do nome do banco. Não foi difícil verificar o montante da dinheirama em euros lá existente. Na outra semana, me licenciei dos colégios e viajei para Zurique. De três em três meses, passei a fazer saques no quantitativo permitido por lei.
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Não sei qual a razão, o fato é que uma sensação angustiante que jazia invisível começou a se apoderar de mim. No inicio, eram devaneios sensuais com Leonilda. Acordava sobressaltado tal o sentimento de sua presença. Passei a tomar pílulas para dormir com medo dos sonhos recorrentes.
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Receoso de consultar um psicanalista e de revelar o meu segredo de culpa da morte de Leonilda, me refugiava em comprimidos. Consegui me acalmar com doses mínimas nos primeiros meses, logo elas já não eram efetivas. Dormia pouco, tornei-me irritadiço, os alunos detestavam minhas aulas, terminei por ser afastado dos colégios.
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As férias forçadas agravaram o quadro, mais tempo para pensar e recordar a cena de Leonilda despencando do quinto andar do estacionamento.
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Nunca tive remorso dos acontecimentos daquele dia. Com mais razão agora, sabendo ter sido traído praticamente durante todo o meu casamento.
Talvez a terapia pudesse resolver minha questão existencial, mas minha lógica de professor me fazia crer que eu próprio iria encontrar a solução.
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Logo que nos casamos queríamos um lugar perto do Rio para passar férias, encontramos uma casinha na praia de Maricá, bem ao lado de outra enorme, abandonada no meio da construção. .

Pagamos um preço bem abaixo do mercado, depois ficamos sabendo que o casarão pertencia a um jovem casal de noivos que brigaram por ciúmes e a jovem assassinara o namorado. O povo de lá acreditava que o local era assombrado.
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Leonilda era uma excelente nadadora desde os tempos do Colégio Vera Cruz. Somente ela e mais dois rapazes mergulhavam na piscina, pulando do prédio ao lado no quarto andar. Uma vez tomei coragem e fui até lá, ao ver do alto o pequenino retângulo azul, fugi correndo. Hoje sei a razão de ela não ter sentido medo ao ficar tão perto do parapeito da garagem do Shopping e me questiono se ela não quis dar um último mergulho.
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Minha mulher praticava pesca submarina, eu a acompanhava nas idas a Ponta Negra, bem próxima de nossa casa, de longe a admirava ao vê-la mergulhar no mar bravo em busca de sua presa apesar da água escura.
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Peguei o automóvel, fui a Maricá resolvido a ficar lá por uns dias.
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Consegui um sono tranquilo na primeira noite. Pela manhã de costas para o sol, caminhei na direção de Ponta Negra, os pesadelos voltaram fortes mesmo eu desperto. O que eu sentia, descobri: não era arrependimento e sim um tremendo ódio pela mulher que tinha amado por tanto tempo, e este sentimento retornava para mim cruelmente.
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A manhã estava linda em Maricá, o mar azul ciano refletia o sol em uma nesga dourada.
O gradiente da praia de Maricá cai abruptamente a poucos metros da areia.
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O convite a um mergulho, irrecusável. A Água fria acalmou minha cabeça, cada braçada a percepção de alívio.
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Tanto tempo sem o bem-estar em meu corpo, me fez esquecer que não era mais jovem, o cansaço tomou conta, pensei em retornar à areia, estava longe. De repente, vi Leonilda, nua ao meu lado, envolta em uma luz púrpura murmurava:
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- Amor, eu vim buscar você, você sempre foi meu único amado. Venha, querido.
Sorri o sorriso besta do corno manso...
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail: alzumunir@gmail.com

quarta-feira, 22 de julho de 2015

CONTOS DO MUNIR 010/2015



Professor de Física
COM UM POUCO DE TOM VERMELHO
Conheci Leonilda no antigo Colégio Vera Cruz, talvez o único com piscina no Rio. Ficava na Tijuca na Rua São Francisco Xavier, bem pertinho do Colégio Militar. De vez em quando, saía um barraco entre seus alunos.
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Leonilda era de uma turma abaixo da minha, namoramos todo o tempo de colegial, cabelos castanhos, não era nenhum tipo de beleza, mas atraía pelo porte físico, tinha mais de um metro e setenta, usava saltos altos, sua conversa, inteligente.
Acreditando ser a mulher de meus sonhos, terminei casando com ela, tão logo nos formamos. Ela em Administração, eu em Física.
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Sempre detestei concursos, entrei para a Universidade por uma bolsa de estudos, era bom aluno.
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Leonilda passou em primeiro lugar na Receita Federal e logo promovida a Chefe de Auditoria.
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Eu dava aulas em vários colégios, tendo de correr de um para outro. Comprei uma moto, me arriscando, como os entregadores de pizza, no trânsito do Rio.
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Minha mulher, de automóvel, possuía vaga privativa no prédio onde trabalhava.
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Leonilda era estéril, pensamos a princípio em adoção, um exemplo em família nos fez desistir. Também não tínhamos nem cachorro, gato ou passarinho. Sempre tive vontade de ter um filho, um gato ou um cachorro; passarinho, não; crueldade prender na gaiola. Quando menino, eu tive uma cadelinha que me amava.
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Nas férias, viajávamos para Paris, Nova York e toda a Europa. Cada viagem era uma nova lua-de-mel.
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Nos primeiros anos de nosso casamento nós fazíamos sexo às claras, depois eu mesmo apagava as luzes.
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Leonilda passou a usar de artifícios para apimentar a relação, creio que se matriculou secretamente em algum curso especializado.
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Vestia-se de menina de colégio, de odalisca, de babá, de garota de programa, de marinheira e outras tantas fantasias usando máscaras pretas, lingeries sensuais, meias arrastão, algemas e até chicotinhos.
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Sempre calçando sapatos vermelhos Loubotin de saltos de cristal.
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Perfumava-se com Chanel e me untava com cremes de sabores morango ou chocolate que depois ela degustava.
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O tempo inexorável, entretanto, fazia seu efeito, já estávamos completando quase trinta anos de casados e os efeitos especiais viraram rotina.
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Eu continuava na minha batida cansativa de professor, e nem mesmo a Física Quântica, que passei a estudar, me animava.
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Para nos curar da mesmice, tivemos a ideia de viajar pelo Brasil de carro. A primeira parada seria São Paulo.
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Um novo Shopping acabara de ser inaugurado. Só lojas de grife, fomos ver.
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Leonilda encontrou uma vaga, no estacionamento quase lotado, no quinto andar a uns vinte e cinco metros de altura. A vista maravilhosa para o Viaduto do Chá. O automóvel, ao lado do nosso, saiu, liberando o espaço. A mureta reforçada de uns oitenta centímetros defendia possíveis quedas de veículos.
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Minha mulher ficou bem próxima ao murinho, no espaço da vaga liberada. Sua altura acrescida pelos sapatos ultrapassava de muito a proteção construída.
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A imaginação do professor de Física se pôs a trabalhar, calculei que, na posição em que se encontrava um pequeno desequilíbrio formaria uma alavanca que a precipitaria no espaço. Percebi também que estava no ponto cego do retrovisor.
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Ela deslumbrada com o visual, não percebeu o Mercedes, que de ré estacionava. Mercedes são carros muito silenciosos.
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Li uma vez que o Presidente da Mercedes Benz ouviu do Diretor da fábrica, que o único ruído que se escutava era o tic-tac do relógio, no que ele retrucou: tira o relógio.
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Leonilda caiu no piso do Shopping, estatelando-se a uma velocidade destrutiva. Teve, é claro, morte imediata.
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Na hora fiz o meu papel de marido desesperado.
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Era casado com Leonilda em comunhão de bens. Passei a receber a pensão de Auditor.
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Afinal, professor no Brasil ganha pouco.
Né?
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail: alzumunir@gmail.com

quinta-feira, 16 de julho de 2015

CONTOS DO MUNIR 009/2015



VESTIDO VERMELHO CABELOS LOUROS
Uma história de amor no Leblon.
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Roberto estava no Rio de Janeiro depois de muitos anos de ausência, havia trazido da América, onde morava, seu cão Cavalier.
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Era um domingo de sol, a Avenida Delfim Moreira fechada para o trafego de veículos convidava o passeio.
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O rosto de uma senhora loura, na calçada acenando com refrigerantes nas mãos para dois rapazes que surfavam, chamou sua atenção.
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Eles correram em sua direção.
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Roberto:
- Heloisa?
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Apresentando os dois surfistas, quase da mesma idade, ela disse:
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Este é o Luiz Fernando que você viu pequenininho, e esse aqui é o Zug, você não chegou a conhecer, e olhando na coleira do Cavalier leu o nome: Zug.
Sorriu.
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Roberto D’Alzug seguia com seu Karman Ghia para São Conrado onde morava.
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O sinal fez com que ele parasse na altura do hotel.
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A loura, cabelos soltos, atravessava a rua conduzindo um carrinho de bebê cor vermelho vivo como o seu vestido, um pouco aberto em sua parte superior. Os grandes botões pretos, semelhantes aos usados em jogos de futebol de mesa, não alcançavam as casas. O vestido comprara há um ano, embora tenha quase voltado ao peso anterior à gravidez, seu busto ainda se mostrava entumecido.
Heloisa, era seu nome, estava hospedada no Sheraton, seu guri estava com um mês de nascido.
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Recém-separada mudara-se para o Leblon, aguardava no hotel a obra de seu apartamento.
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Passou muito próxima ao automóvel de Roberto. Ele não pôde deixar de notar a beleza da jovem e comentou:
-Bonito o seu carrinho.
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Ela:
-O seu também.
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Roberto interrompeu sua viagem, parou o carro no estacionamento do hotel, foi ao encontro da moça. A encontrou sentada no saguão tomando um café. Ela sorriu.
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Um sorriso convidativo, ele sentou-se.
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Ficaram conversando até perceberem que o tráfego na Niemeyer se tornava pesado e Roberto achou que era hora de voltar.
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Marcaram de se ver no mesmo local no dia seguinte.
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A centelha da paixão incendiara seus corações, a ansiedade se apossara de ambos.
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À tarde do outro dia fez Roberto voltar ao seu tempo de menininho de colo, e fartar-se nos seios de Heloisa.
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O apartamento na José Linhares ficara pronto, Heloisa se mudara.
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Roberto saía do escritório direto para lá, o colchão ainda sem o estrado da cama. Ali faziam amor, o bebê no carrinho vermelho, amamentado, dormia quietinho.
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Semanas voaram e o amor aqueceu ambos, no outono e no inverno.
Heloisa fora casada com um ator de TV cerca de três anos.
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Roberto vinha adiando, por causa desse romance, sua ida para a Universidade nos Estados Unidos onde faria seu mestrado e doutorado em Direito Internacional.
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Já era noitinha, Roberto saindo do apartamento de sua querida, sentiu que estava sendo seguido, foi abordado na altura do bar Bracarense.
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Senhor:
-Sou o marido de Heloisa, o senhor não me conhece, mas sei quem é o senhor, que é advogado, casado e tem dois filhos, sei também onde trabalha e onde mora.
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Estou tentando reconstruir minha família.
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Disse isso sem rancor, e quase de forma humilde.
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Roberto emudeceu, mais tarde ligou para Heloisa, deu a desculpa que tinha sido chamado a São Paulo e lá ficaria por duas semanas.
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No domingo seguinte embarcou para a Califórnia onde faria seu curso. Sua família viajaria mais tarde.
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Tornou-se docente da Universidade fixando residência nos Estados Unidos, raramente vinha ao Brasil e quando acontecia era São Paulo em Congressos ou proferir conferências na USP.
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E o tempo passou...
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail: alzumunir@gmail.com