sábado, 26 de fevereiro de 2011

CONTOS DO MUNIR - 59

SOU FILHO BASTARDO !
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Assim exclamou Juliano na roda do bar. Nem alto ele estava, se tinha bebido um chope, era muito. Seus amigos, atônitos pararam as tulipas na mesa. Juliano, da turma era o mais jovem, os outros, da geração 35 mm kodachrome color, filme extinto em 2010.
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Juliano era agrônomo, quase uma tradição familiar, às vezes passava tempo sem aparecer, trabalhando em fazendas em Mato Grosso ou Minas. Contava muitas histórias de bois, vacas e terras de grilagem, dizia que algumas estradas passavam por dentro das fazendas e tinham pedágio. Os fazendeiros colocavam seus jatinhos a sua disposição para ver os pastos da invernada. O gado, dizia ele, levava três dias para lá chegar
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Contava também que sua mãe era muito bonita e aos cinquenta e nove anos abandonou a casa e foi morar com um japonês nos Estados Unidos. Juliano não tinha cara de japa.
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E aí começou a história do filho bastardo. Seu pai morreu e a mãe regressou ao Brasil para cumprir formalidades jurídicas. Revelou a ele que o seu pai biológico era o dono das fazendas onde seu cônjuge trabalhava. Propositadamente, enviava o marido para verificar a adequação dos pastos nas terras.
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A mãe e o fazendeiro foram amantes por seis anos. Dessa união, nasceu Juliano e a irmã caçula, Julia. O pai era o milionário Julio Anobe Bergstein, dono de frigoríficos e exportador de carne para a Rússia e Oriente Médio. O nome dos meninos foi dado em sua homenagem. Também falecera e deixara uma fortuna incalculável em imóveis e empresas.
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O inventário não incluiu os irmãos, nascidos fora do casamento. A princípio, Juliano ficou revoltado, fora criado e educado em um lar que acreditava estável, apesar dos arrufos constantes do casal.
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Lembrou-se de como sua mãe vestia-se com elegância e saia de Jacarepaguá, onde moravam para trabalhar na corretora de imóveis, do patrão do marido, em Copacabana. Às vezes, um carro com motorista vinha buscá-la.
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Também se recordou das idas, junto com ela, ao Penhor da Caixa Econômica. Transformava jóias em dinheiro para evitar suspeitas.
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O ódio que Juliano nutria pela mãe estendeu-se ao pai biológico e também àquele que acreditava ser seu pai verdadeiro. Um desejo de vingança e compensação tornou-se compulsivo.
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Iniciou, então, uma busca a todos os dados referentes a Julio Anobe Bergstein. O homem pertencia à alta sociedade, frequentava o Country e o Copacabana Palace. Sempre visto com lindas mulheres. Encontrou uma foto dele com bigode e cavanhaque, olhou-se no espelho: o nariz, a testa e as orelhas já eram sinais eloquentes de uma herança genética. Deixou crescer a barba e passou a usar bigode. A semelhança era espantosa, pareciam clones.
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Viu a fortuna arrolada: além das empresas, fundos de aplicações no Brasil e no exterior, ações dos principais bancos e companhias e muitos apartamentos na orla da Zona Sul notadamente na Vieira Souto e Delfim Moreira, a maioria fechados; outros, residências dos filhos legítimos.
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E ele morando, ainda de aluguel em Jacarepaguá em um sala e quarto e ainda sustentando a irmã. Achou que tinha direito a um bom pedaço daquele bolo. Precisava, entretanto, de uma prova conclusiva. Só a aparência não seria argumento suficiente.
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Juliano resolveu contratar um bom advogado, como não tinha dinheiro, propôs uma percentagem do valor que receberia em ganho de causa. A proposta foi aceita quase que de imediato. Uma carta foi enviada com cópia das fotos que Juliano mostrara. A resposta dos defensores da família foi quase um reconhecimento da paternidade. Propuseram uma indenização irrisória em relação ao patrimônio; mesmo assim era quase o dobro do que Juliano ganharia em uma vida de trabalho.
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Seu advogado era investigativo, não replicou de imediato, intensificou a procura por mais dados à época em que a mãe de Juliano e o Sr.Anobe eram amantes: viagens ao estrangeiro, a querida como secretária particular, promoções meteóricas na empresa, um carro do ano, dizia ter ganho em rifa da companhia.
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Nova carta foi mandada aos herdeiros. A proposta deles foi multiplicada e um apartamento na zona Sul foi adicionado.
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O advogado retrucou com um pedido de DNA, os filhos legítimos disseram que se negariam a fazer.
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A exumação de Julio Anobe, impossível de ser feita, o fazendeiro apesar de sua religião não permitir, havia sido cremado, provavelmente para evitar provas futuras.
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O advogado, persistente, conhecia, por experiência, as decisões em casos semelhantes e a demora do julgamento. Um acordo seria a solução adequada. Precisava de algo concreto
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Sugestões, nem tanto sutis, de aliciamento lhe foram feitas e recusadas. .
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Como estava tendo uma queda acentuada de cabelo, talvez devida à ansiedade que o processo estava lhe trazendo, resolveu realizar um implante capilar.
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O profissional ao ser contratado, ignorando o litígio, deu como referência, entre outros nomes, o de um filho legítimo do Sr. Juliano e que ele estava tratando Disse mais, a queda de cabelo era bastante semelhante e a textura quase a mesma. O advogado vislumbrou a porta que se abria inesperadamente. Pediu que trouxesse um fio do cabelo desse outro cliente, o que ele fez com agrado.
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Foi realizado o exame de DNA e o resultado foi o esperado, Juliano era realmente filho do fazendeiro, mas a prova não era válida perante a Justiça.
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O defensor solicitou audiência ao Juiz e conseguiu ser atendido, disse a verdade. O Magistrado, sensibilizado, ainda mais por ser a irmã de Juliano portadora da Síndrome de Down resolveu chamar as partes para um acordo.
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Juliano tornou-se um homem rico, foi morar na Delfim Moreira com uma renda vitalícia e assistência permanente para a irmã.
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Quando bebe um pouco mais, chora e diz que seria mais feliz se estivesse morando em Jacarepaguá e não fosse filho bastardo.
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CONTOS DO MUNIR 58

PÁLPEBRA ERÓTICA
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Luiz andava meio aborrecido, ao se olhar no espelho notara que sua pálpebra do olho esquerdo estava meio caída. Vaidoso, resolveu que iria submeter-se a uma cirurgia.
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Há dois meses, iniciara um romance, que lhe parecia promissor com uma empresária de produções artísticas.
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Marcou consulta com a sua cardiologista para o risco cirúrgico, solicitado pela Clinica.
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Dias antes, percebeu que seu affair já não tinha o calor dos primeiros tempos. A moça andava reticente, passou a falar muito da terapia que vinha se submetendo, principalmente, do psicólogo que a atendia em quem confiava e que já a fizera romper com um antigo namorado por uma daquelas sugestões sutis que analistas fazem. Luiz estava com setenta anos tinha contado a ela que tomava Viagra. A gota d’água foi a indução do clinico dela, que, em vez de Viagra, passasse a tomar comprimidos de testosterona. Chegou a comprar o remédio, teve o bom senso de consultar seu urologista que desaconselhou a troca.
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O rompimento tornou-se inevitável. Luiz sentiu sua privacidade invadida, afinal segredos de cama são só para ser compartilhados a dois, e sempre renovados.
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Não tendo disponibilidade para um suporte psicológico, desabafava com a cardiologista, sua amiga, e israelita como ele. Já tinha desistido da cirurgia.
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A médica pediu que Luiz piscasse algumas vezes, o animou, observando que o caimento era mínimo, que não valia à pena arriscar.
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Luiz, descendente de uma família rica, morava antes em cobertura na Avenida Atlântica; seu pai, dono de uma grande empresa, acabou em falência por dívidas trabalhistas. Luiz tinha formação superior, fora dono de livraria. Complicações no casamento o obrigaram a mudar-se do Leblon para Botafogo. Atualmente não tinha e não poderia ter nada em seu nome. Fora diretor da firma, até o carro estava em seu poder por concessão do Juiz, e como fiel depositário. Talentoso, atuava como figurante em novelas e chegara a fazer uma pequena atuação com Mauro Mendonça. Conseguira no Sindicado um certificado de ator e se apresentara a Globo. Para sua surpresa, recebeu um comunicado da emissora com um texto anexo, um monólogo, que se apresentasse para possível seleção.
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A cardiologista ouvia com atenção a conversa de Luiz. Sua irmã mais jovem, engenheira, cerca de cinquenta anos, estava separada; pensou em apresentá-lo.
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Ligou imediatamente para a mana e começou a tecer loas sobre Luiz: que era diretor da Globo, muito rico, um homem bonito de olhos azuis, tinha casa em Angra, uma enorme lancha.
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A irmã não se mostrou interessada apesar de sua insistência. Desligou, virou-se para Luiz exclamando que ela era linda, um corpo escultural, cabelos negros longos e os lábios da Angelina Jolie. Ao ouvir, os olhos de Luiz se arregalaram e a pálpebra caída levantou, a ponto de ser notada pela Dra. Luiz saiu.
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A médica tornou a ligar para a irmã e relatou a razão da ida dele ao consultório e a reação de seus olhos quando ela falara dos seus atributos físicos. Mencionou a elevação da pálpebra de Luiz referindo-se como pálpebra erótica. A irmã, engenheira mecânica reagiu de forma surpreendente desta vez; não se sabe que tipo de associação de alavancagem ela fez, o fato é que pediu: Me dá logo o telefone dele.
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

CONTOS DO MUNIR 57

INTERPRETANDO O PAI NOSSO
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Pai Nosso – Oração de Cristo ao Pai
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PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU
Invoca a necessidade de um Pai, guia e protetor, e a fraternidade entre todos os humanos.
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SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME
Mostra a importância e o respeito ao Pai, o poder de seu nome e o crédito em sua Verdade.
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VENHA A NÓS O VOSSO REINO
Pede a aproximação do Pai, que fique junto a nós para vivenciá-lo já aqui neste mundo e compartilhar suas virtudes.
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SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU
Induz a que embora tenhamos o livre arbítrio somos instrumentos de Sua Vontade agora e na transcendência de nossas vidas.
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O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE
Mostra que as necessidades humanas são mínimas e que somente nos basta o pão de cada dia. Indica a ilusão das riquezas materiais.
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PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TIVER OFENDIDO
Busca aproximar o ser humano do Pai e de sua perfeição e sublima a pessoa através do perdão (se somos perdoados, porque não somos capazes de perdoar?)

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NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO
Reconhece nossas fraquezas diante das tentações inerentes à nossa vida e a busca perene de auxílio do Pai.
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MAS LIVRAI-NOS DO MAL
Pede ao Pai que, na sua infinita misericórdia, nos proteja e sempre nos guarde de todo mal.
Estendemos nossas mãos e que o Pai nos ampare.
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AMÉM
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ARTIGO DA MARIA LUCIA V. BARBOSA

OS BILONTRAS
Maria Lucia Victor Barbosa
30/01/2011

Na sua obra “Os Bestializados” o historiador mineiro José Murilo de Carvalho volta aos primórdios da República para apresentar uma visão história, política e social cuja essência, no meu entender, se repete nos dias atuais.

A essência, conforme penso, está no modo de ser bilontra ou tribofeiro, característica do brasileiro como um todo. Explicando melhor, na revista O Bilontra, citada por Carvalho e editada em 1886, por Artur Azevedo, esse tipo é o espertalhão, o velhaco, o gozador ou tribofeiro.

Em 1891, ainda conforme o autor citado, Artur Azevedo lança outra revista, O Tribofe, termo ligado à trapaça e que caracteriza a capital da República onde tribofeiros estavam por toda parte: “na política, na bolsa, no câmbio, na imprensa, no teatro, nos bondes, nos aluguéis e no amor”. “Como diria o próprio tribofe: ‘Ah, minha amiga, nesta boa terra os mandamentos da lei de Deus são como as posturas municipais, ninguém respeita”.

José Murilo mostra que no Brasil “normas legais e hierarquias sociais foram aos poucos se desmoralizando, constituindo-se em um mundo alternativo de relacionamentos e valores onde predominam o deboche, a irreverência, a malícia”.

Essa mentalidade com toque carnavalesco me parece perfeita para explicar o porquê da popularidade do ex-presidente Lula da Silva. O povo consagrou um rei bilontra com o qual se identificou, um monarca debochado, irreverente, malicioso, piadista, informal, populista, dotado de oratória tosca e tarimba adquirida em palanques de sindicatos, adepto do “deixa a vida me levar”.

Lula da Silva também é homem de rara sorte. Escapou da origem simples e ingressou no mundo de poder e riqueza sempre apoiado por compadres e companheiros. Recebeu, ao chegar à presidência o para-casa pronto do governo anterior, coisa que espertamente seu partido chamou de “herança maldita”, mas que foi copiada e tocada para frente sob as facilidades do céu de brigadeiro da situação externa, até 2009, quando adveio a crise internacional que aqui foi alcunhada de “marolinha”, bem ao estilo gozador do “salvador da pátria”.

A propaganda intensificou trapaças que alteraram a visão de realidade da infraestrutura, da Educação, da Saúde. Criativamente truques contábeis foram utilizados pelo Tesouro. A corrupção governamental foi tida como normal. Os exorbitantes privilégios do “rei e da família real”, que contrastaram com a oratória do “pobre operário” não chocaram os bilontras que nas pesquisas afirmaram: “se eu estivesse lá faria a mesma coisa”.

Quando de novo as eleições chegaram, bilontras hipnotizados pela arenga do líder dirigiram-se às urnas e, obedientes, elegeram Dilma Rousseff. Era a maneira de manter Lula lá.

E Lula continuou. Remontou o ministério à sua imagem e semelhança, conversa com sua comandada diariamente, conforme a imprensa. Estrategicamente, porém, o ex-presidente não se expõe, sendo que a presidente é mostrada com bastante parcimônia.

O ocultamento da sucessora pode se dar por dois motivos: primeiro, esconder aquela certa dificuldade de raciocinar com fluência que era evidente durante a campanha. Segundo, tentar evitar ao máximo a vinculação da verdadeira herança maldita à presidente. Naturalmente, os marqueteiros dirão que a blindagem se deve a uma estratégia premeditada para construir uma imagem da própria Rousseff. Não precisava. Ela não é Lula.

A herança maldita não inclui somente a vergonhosa manutenção em nosso território do terrorista Cesare Battisti, a compra de aviões franceses, o valor do salário mínimo, a insatisfação do PMDB com a distribuição de cargos, as críticas à política externa brasileira que apóia regimes de déspotas violadores de direitos humanos. A herança maldita que, emblematicamente, começou com a “tragédia das pedras” na região serrana do Rio, inclui o único fator que os bilontras são capazes de perceber, pois, se estão cada vez mais cínicos, corrompidos, indiferentes à imoralidade pública reinante, logo começarão a se ressentir e a se inquietar quando perceberem a inflação descontrolada que corrói seu poder aquisitivo.

Para eleger sua sucessora o governo Lula não mediu consequências e no último ano bateu recorde de gastos. Despesas do Tesouro, INSS e Banco Central, que em 2003 representavam 15,14% do PIB, atingiram 19,14% oito anos depois. A escalada de gastos públicos continua e dificultará o trabalho do Banco Central para conter a inflação. Contudo, quando o relatório oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI) denunciou a deterioração das contas públicas brasileiras, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se limitou a ironizar de forma grosseira e arrogante dizendo: “Acho que o diretor-gerente (Dominique Strauss Kahn) saiu de férias e algum velho ortodoxo deve ter escrito esse relatório com essas bobagens sobre o Brasil”.

Ainda é cedo para julgar o governo Rousseff, mas, pelo andar da carruagem, quando o ano começar depois do carnaval, os bilontras saberão se é bobagem ou não a escalada inflacionária.
Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
mlucia@sercomtel.com.br

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ARTIGO DO JEZER-6

SEGURANÇA NOS AEROPORTOS
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O Fantástico levou ao ar extensa reportagem sobre a problema de segurança de bagagens nos principais aeroportos brasileiros. Mostrou, abundantemente, as falhas gritantes e que viajar de avião no Brasil é uma temeridade.
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Os mais expertos em aviação, dizem que a segurança de um aeroporto e de uma aeronave, começa a 30km antes do aeroporto. Existem estudos pormenorizados demonstrando as causas e os efeitos. Porém, o grande “elefante branco” – INFRAERO, diz que segue as regras mínimas de segurança, o que ao meu ver, está longe do mínimo exigido em outros aeroportos em todo o mundo. Entendo, que após 11 de setembro, as medidas são extramente rigorosas na América e tem suas razões de ser, porém não podemos, simplesmente, abdicar, da mínima segurança que deve ser implementada em nossos aeroportos.
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Ou faltam equipamentos, ou quando os tem, o pessoal é inabilitado a usá-los.
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Como viajo constantemente fora do Brasil, inclusive em viagens de curta duração e internas, posso avaliar, sem medo de errar, que só não aconteceu até agora um tragédia de grandes proporções, porque Deus é brasileiro e protege nossas almas.
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Desmascarou-se, na reportagem, a total insegurança que é andar de avião no Brasil.
Jezer Menezes
Av. Presidente Wilson, 210 – Gr. 615 – Centro – RJ – RJ 20.030.021
Ident: OAB/RJ 25.839 / CPF 258.176.637/91

domingo, 2 de janeiro de 2011

ARTIGO DO GUI

2011

FELIZ ANO NOVO
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Adeus ano velho. Feliz ano novo. Muito dinheiro no bolso. Saúde pra dar e vender. Pergunta aos "baixinhos". Qual o significado do Natal? R= Papai Noel, brinquedos, muitos presentes, doces, comida farta e gostosa, festa, muita gente, shopping, refrigerantes, feriado...THE END. Religião=Consumismo. JESUS esquecido, Bola murcha, igual a do MENGÃO. Beleza há, enfeites há, recordes há, superárvore, super iluminação inteligente. Texas, EUA, cidadezinha próxima 20 mil habitantes, todas as casas totalmente cobertas de enfeites e luzes coloridas. Atração turística, comoveu o país inteiro. Romarias. Mundo atual, supersites, 6 bilhões de almas, cultura progresso científico. Sensação aparente de estabilidade. 17° dia, 2° mês, 352 anos antes de nascer o patriarca Abraão o DILÚVIO destruiu tudo. Cuidado CARA-PÁLIDA, não pisa na bola que lá em cima pode vir CHUMBO-GROSSO, sua batata pode estar assando. A paciência do MESTRE é muito grande, mas o limite tem nome: DESPREZO, INDIFERENÇA, DESAMOR. The New York Times: "Na pior das hipóteses, este tem sido o século de Satanás". Nunca se viu tanta inclinação e vontade de matar milhões por RAÇA, RELIGIÃO ou CLASSE SOCIAL. Programas, purificações étnicas, chacinas tribais, África, Europa Oriental. Dinheiro=Felicidade? Nem sempre. Aborrecentes monossilábicos já nascem me dá, me dá MESADA! Mãe: marido, me dá atenção! Pai: me deixa em paz! Avós abandonados, solidão. Pobre: 7 pessoas num barraco. Perigo! Chuva! Cai, não cai! Alegria, teria um desgosto profundo se não existisse o FLAMENGO no mundo. Ano Novo JUSTIÇA. Ah! Só no céu. Políticos bilhões, trabalhador tostões. Novo Ministério CSI Central Satânica de Impostos. 1º poste, depois ar, chuva, vento, sol, luar. Ano Novo SAÚDE. Ah! Tá pedindo muito: CTI fechado, contaminado, carnaval de microorganismos patológicos, saláriosgorgetas atrazados, urgência não funciona, UPAENROLAÇÃO=ponto de taxi! Corre pro SOUZA AGUIAR! Agência Satânica de Idosos ASI, Filas intermináveis! Em pé! Perícia em greve! 1° Não adoecer. Ana Novo SEGURANÇA. CPP Central Propaganda de Promessa. Pode namorar tranqüilo na Floresta da Tijuca, subir a Pedra da Gávea, visão do paraíso, por do sol Ipanema. Olha o Arrastão! Ônibus ar refrigerado assalto gelado. Se temperatura subir corre! DIMENOR tacou FOGO!! Conselho tutelar: "tadinho...colinho...Psicologos: carente...Ano Novo AMIZADE. Ah! Verdadeiro amigo, nem com vela acesa. Qualidade não é Quantidade. Nas cidades contactamos mais pessoas em 1 semana do que um aldeão do SEC XVIII em toda sua vida. Porém relacionamentos superficiais. Se 1 cai duro, outro finge não ver. Jonatã, era filho de Saul, herdeiro do Rei, ia contra seu pai, salvando a vida de Davi. Fidelidade. São Paulo, preso, enviado para Roma, contou com a ajuda de Aristarco que por sua vez salvou São Lucas da turba histérica em Éfeso. Rute, moabita, viúva de um judeu, disse a sogra: "Teu povo será o meu povo e o teu Deus o meu Deus. Ano Novo LEALDADE. Ah! Político muda de partido, rápido a hora é essa, eleitor logrado. Jogador muda de time, troca camisa babada de tantos falsos beijinhos GOOLL! Deus a Pedro: "Tendes de ser santo, porque eu sou santo. Deus e Israel, 5 SEC. de Reis, mais ruins do que bons, sempre compaixão. Jó embora imperfeito provou ser leal a Deus. Ano Novo AMOR. Tô na 3ª esposa. Não aguento mais! Vou viajar uns tempos, mala bem grande! Vai não! Onde for piora, a "mala" é você. Tempos depois. E aí, tudo bem? Comigo e com Deus. Arrependido? Se pudesse voltava pra 1ª esposa. O "mala" era eu. Amor teve São Paulo, de alcagoete de polícia, apedrejador de São Estevão, deu a vida pra JESUS. Amor teve São Pedro, largou rêde, barco, família, por JESUS. Amor teve São Mateus, cobrador de impostos, pôdre de rico, vivia em festas, glutonaria, prostituição, largou tudo por amor a JESUS. Amor a Deus, ao próximo, a família, a Israel, a humanidade, ao MENGÃO, até ao inimigo, Corinthians laláu, garfou o campeonato inteiro tanto, que a vergonha escandalosa escorreu pelos dedos dentro da Bahia.
JESUS DEU SUA VIDA POR AMOR.
Francisco Apocalypse Dantas -Médico Escritor
E-Mail: apocalypsedantas@uol.com.br

ARTIGO DO AUGUSTO ACIOLI

"MESTRE JAIME ARÔXA"
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Mencionar alguém por esta forma é traduzir em uma só palavra o reconhecimento pelo saber, justamente, na terra tupiniquim, cenário em que o segmento educação não possui recursos técnicos até mesmo para realizar, com sucesso, um simples exame nacional de avaliação do ensino médio.

Afinal, quem são esses verdadeiros mecenas da didática que de sol a sol, todos os dias da semana, disponibilizam uma trajetória de saber acumulada ao longo de décadas para atentos discípulos que, com muito entusiasmo, procuram guardar todas as linhas e entrelinhas do que lhes é ministrado?

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Conheci Jaime Arôxa no ano de 2007 quando minha esposa e eu decidimos homenagear os convidados de nossa festa celebrando "Bodas de Cristal", com a apresentação de um tango dançado por nós. Não possuíamos qualquer conhecimento daquela manifestação artística. Após colocá-lo a par do inusitado desafio, ouvi a seguinte pergunta: de quanto tempo dispomos? respondi, duas semanas. Ele, com a simplicidade que lhe é peculiar, finalizou: preparem-se, pois você e sua esposa terão uma performance que rivalizará com a famosa cena de Al Pacino no filme "Perfume de Mulher".

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A música escolhida "Por una cabeza" estimulou o crescer da emoção que então dividíamos.

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Nosso espanto e incredulidade era amparado por uma paciente e mágica didática que dividia os passos treinados, em partes que se juntavam alguns ensaios após.
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Enfim chegou o grande momento e a cortina subiu para uma noite inesquecível. Os presentes ao evento emocionados com o que haviam acabado de assistir, sem edição ou cortes, dentro da leitura de "quem sabe faz ao vivo" exclamavam: como vocês guardaram esse segredo tanto tempo?
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E nós, apontando o Mestre, sabidamente, o melhor educador de dança de salão, no Brasil, respondíamos:
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"Fomos os braços, as pernas e a mente de um ser privilegiado que escolheu a arte como sua forma de educar pessoas, qualificar profissionais e distribuir felicidade".
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O clipe que ora disponibilizo, por arquivo, foi produzido no dia 14/12/2010, às 22h00, durante a demonstração prática de passos ensinados, momentos antes, aos alunos da turma de tango que se reúne às terças e quintas-feiras, às 21h30, na Escola de Dança Jaime Arôxa - EDJA, sita à Rua São Clemente 41, Bairro Botafogo, Rio de Janeiro, RJ., Cep. 22.260-001, Tel. 55 21 3563-4695.
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Obrigado, Mestre Jaime Arôxa, pelo empenho diário que você e seus competentes seguidores emprestam ao saber artístico no Brasil.

Autor: Augusto Acioli de Oliveira
augao148@gmail.com