segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Comte. JUPY discursa diante do mausoléo do Alte Saldanha
Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer nesta data, anualmente, para homenagear o grande Chefe Naval que foi Luiz Philippe de Saldanha da Gama, que em 12 de abril de 1884 fun
dou o Clube Naval e foi seu primeiro presidente. É importante considerar esse ilustre militar como se ainda estivesse entre nós, por mais que saibamos que a ocasião em si já remonta a lembranças distantes.É fascinante a história desse homem do Século XIX, cujo caráter nos faz cultuá-lo até o presente. Trata-se de retomar um elo com algo que perdemos em algum lugar no tempo e nos mares da vida.Como não perdemos esse elo totalmente, é com um esforço absolutamente compreensível que fixamos os olhos do alto dos passadiços de nossos navios para tentar vislumbrar cidadãos mais responsáveis, um país mais justo, um mundo menos violento, onde possamos, enfim, ancorar nossos destinos e crer na possibilidade de enfrentar mares mais tranquilos. E, sem dúvida alguma, o Almirante Saldanha da Gama é uma inspiração para que possamos manter nossos horizontes plenos de confiança no futuro.Sua dedicação à vida militar permanece como exemplo de liderança inconfundível, princípios morais e ética inabaláveis e tantas outras notáveis qualidades que em muito orgulham e engrandecem seus descendentes, a Marinha do Brasil e a Nação Brasileira.Seus biógrafos esmeraram-se em contar uma vida pontuada por feitos heróicos. Para nós, nesta ocasião, seria muito extenso e, por isso, até mesmo incompatível enumerar todos os grandes momentos históricos atribuídos a Saldanha da Gama. Cabe-nos, no entanto, ressaltar que desde muito cedo ele manifestou extrema vocação para a defesa da Pátria.Com apenas 15 anos, em 1861, foi o primeiro colocado no concurso para a Escola de Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval, tornando-se, assim, aspirante a guarda-marinha com desempenho brilhante ao longo de todo o curso. Em 1864, aos 18 anos, o guarda-marinha Saldanha da Gama viveria sua primeira experiência de guerra: a Campanha do Prata. Embarcado na canhoneira RECIFE, capitânia da Esquadra Imperial Brasileira, então sob o comando do Vice-Almirante Barão de Tamandaré, recebeu seu batismo de fogo. Na tomada de Paissandu pelos navios brasileiros, Saldanha da Gama foi o porta-bandeira do 1º pelotão de fuzileiros da Esquadra que conduziu ataque à cidade. Inúmeras campanhas seguiram-se e Saldanha delas participou sempre com bravura e coragem, sobressaindo-se em Curupaiti, Timbó e Angustura. Finda a guerra, com apenas 23 anos, já no posto de capitão-tenente, regressou vitorioso ao Rio de Janeiro.Deu continuidade à carreira com total brilhantismo e muito entusiasmo. Comandou nada menos do que seis navios de guerra, os quais em sua gestão primaram pelo impecável aspecto marinheiro e sempre tripulados por homens altamente adestrados e muito disciplinados. Aos 38 anos, como capitão-de-fragata, assumiu o comando do cruzador BARROSO, então orgulho da construção naval brasileira. Seu derradeiro comando no mar, ocupando o posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi no encouraçado RIACHUELO, o mais poderoso navio de guerra nacional da época. Exerceu ainda vários cargos e funções da mais alta relevância no país e no exterior, sendo muitas vezes indicado pelo próprio Imperador D. Pedro II para representar o Brasil em exposições, simpósios, missões de caráter científico e outras atividades. Aos 45 anos, alcançou o posto de contra-almirante.Decorridos dois anos, no auge de sua capacidade física, intelectual e profissional e desfrutando de grande prestígio entre seus pares e superiores hierárquicos, após difícil e dolorosa decisão, Saldanha rebelou-se em defesa de convicções políticas que julgava as mais acertadas, abdicando de uma carreira já repleta de realizações e com um futuro por demais promissor. No entanto, os 32 anos de relevantes serviços prestados à Marinha por Saldanha jamais deixarão de ser reconhecidos e sempre serão exaltados a cada ano, porque as nossas esperanças precisam de tais estímulos para ser constantemente renovadas.É fundamental que homens de sua estirpe sejam permanentemente lembrados. De certa maneira, suas vidas são como faróis que nos orientam como defender e a amar a Pátria, e Saldanha da Gama é um desses faróis. Ele é capaz de levar-nos, hoje, àquilo que às vezes esquecemos que abrigamos intimamente. Sim, uma luz intensa que brilha para nós, marinheiros do Brasil, e que sempre precisamos mantê-la viva para poder cumprir nossas missões e alcançar nossos objetivos com proficiência e dignidade.Vemos em Saldanha da Gama um homem que sobreviveu a combates. Um homem que liderou homens, que ajudou a formar tantos outros, que fez da sua vida a Marinha e fez da Marinha a sua vida. Saldanha da Gama permanece como um paradigma de grande marinheiro e estabelece uma conexão importante entre o século XIX e o século XXI.Reconhecemos seu sofrimento, moral e físico, ao retirar-se com dois profundos ferimentos depois da tentativa de ocupar Niterói em nove de fevereiro de 1894, quando se envolveu em terrível luta fratricida durante a Revolta da Armada. Ver a munição acabando, seus homens sofrendo de beribéri e a sensação de que tudo estava chegando ao fim.Essa coragem é o símbolo da firmeza de caráter de Saldanha da Gama, que manteve inabaláveis as suas crenças até as últimas consequências. Não nos cabe tecer comentários sobre as motivações políticas das guerras das quais ele participou, já que tentamos hoje aqui chamar esse homem aos nossos sentimentos. Cabe-nos meditar sobre a fidelidade que ele dedicou àquilo em que acreditava. É essa fidelidade que comemoramos hoje.Se, curiosa ou ironicamente, a curta existência do Almirante Saldanha da Gama teve fim longe dos conveses dos navios que tanto amou, aos 49 anos de idade, em Campo-Osório, RS, caindo do seu cavalo e sendo seu corpo transpassado por lanças portadas por homens que sequer sabiam da sua importância, reconhecemos que as justas homenagens prestadas a esse excepcional oficial de Marinha e grande figura de nossa história serão sempre insuficientes, mas autênticas.Assim, seu nome é ostentado em vários logradouros e estabelecimentos por todo país e permaneceu gravado, por longos anos, na popa de um navio-escola da Marinha brasileira: o incomparável “ALMIRANTE SALDANHA”. E foi em 1908, por iniciativa liderada pelo Clube Naval, que seus restos mortais foram transladados de terras uruguaias para o Brasil e aqui repousam dignamente.Se ainda não tínhamos como certa a necessidade de estarmos hoje aqui, agora sabemos: nossas crenças precisam ser inabaláveis como a deste homem que tão nobremente nos inspira.Esse farol que ele foi deve manter sua luz sempre acesa para que oriente nossos navios e os homens que os tripulam, mantendo-os permanentemente motivados para singrar os mares impondo respeito e altivez em defesa de nossa soberania. Esse homem, o inesquecível Almirante Luiz Philippe de Saldanha da Gama, não foi apenas um herói de seu tempo: ele é um herói até hoje, e sempre o será.Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer nesta data, anualmente, para homenagear o grande Chefe Naval que foi Luiz Philippe de Saldanha da Gama, que em 12 de abril de 1884 fundou o Clube Naval e foi seu primeiro presidente. É importante considerar esse ilustre militar como se ainda estivesse entre nós, por mais que saibamos que a ocasião em si já remonta a lembranças distantes.É fascinante a história desse homem do Século XIX, cujo caráter nos faz cultuá-lo até o presente. Trata-se de retomar um elo com algo que perdemos em algum lugar no tempo e nos mares da vida.Como não perdemos esse elo totalmente, é com um esforço absolutamente compreensível que fixamos os olhos do alto dos passadiços de nossos navios para tentar vislumbrar cidadãos mais responsáveis, um país mais justo, um mundo menos violento, onde possamos, enfim, ancorar nossos destinos e crer na possibilidade de enfrentar mares mais tranquilos. E, sem dúvida alguma, o Almirante Saldanha da Gama é uma inspiração para que possamos manter nossos horizontes plenos de confiança no futuro.Sua dedicação à vida militar permanece como exemplo de liderança inconfundível, princípios morais e ética inabaláveis e tantas outras notáveis qualidades que em muito orgulham e engrandecem seus descendentes, a Marinha do Brasil e a Nação Brasileira.Seus biógrafos esmeraram-se em contar uma vida pontuada por feitos heróicos. Para nós, nesta ocasião, seria muito extenso e, por isso, até mesmo incompatível enumerar todos os grandes momentos históricos atribuídos a Saldanha da Gama. Cabe-nos, no entanto, ressaltar que desde muito cedo ele manifestou extrema vocação para a defesa da Pátria.Com apenas 15 anos, em 1861, foi o primeiro colocado no concurso para a Escola de Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval, tornando-se, assim, aspirante a guarda-marinha com desempenho brilhante ao longo de todo o curso. Em 1864, aos 18 anos, o guarda-marinha Saldanha da Gama viveria sua primeira experiência de guerra: a Campanha do Prata. Embarcado na canhoneira RECIFE, capitânia da Esquadra Imperial Brasileira, então sob o comando do Vice-Almirante Barão de Tamandaré, recebeu seu batismo de fogo. Na tomada de Paissandu pelos navios brasileiros, Saldanha da Gama foi o porta-bandeira do 1º pelotão de fuzileiros da Esquadra que conduziu ataque à cidade. Inúmeras campanhas seguiram-se e Saldanha delas participou sempre com bravura e coragem, sobressaindo-se em Curupaiti, Timbó e Angustura. Finda a guerra, com apenas 23 anos, já no posto de capitão-tenente, regressou vitorioso ao Rio de Janeiro.Deu continuidade à carreira com total brilhantismo e muito entusiasmo. Comandou nada menos do que seis navios de guerra, os quais em sua gestão primaram pelo impecável aspecto marinheiro e sempre tripulados por homens altamente adestrados e muito disciplinados. Aos 38 anos, como capitão-de-fragata, assumiu o comando do cruzador BARROSO, então orgulho da construção naval brasileira. Seu derradeiro comando no mar, ocupando o posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi no encouraçado RIACHUELO, o mais poderoso navio de guerra nacional da época. Exerceu ainda vários cargos e funções da mais alta relevância no país e no exterior, sendo muitas vezes indicado pelo próprio Imperador D. Pedro II para representar o Brasil em exposições, simpósios, missões de caráter científico e outras atividades. Aos 45 anos, alcançou o posto de contra-almirante.Decorridos dois anos, no auge de sua capacidade física, intelectual e profissional e desfrutando de grande prestígio entre seus pares e superiores hierárquicos, após difícil e dolorosa decisão, Saldanha rebelou-se em defesa de convicções políticas que julgava as mais acertadas, abdicando de uma carreira já repleta de realizações e com um futuro por demais promissor. No entanto, os 32 anos de relevantes serviços prestados à Marinha por Saldanha jamais deixarão de ser reconhecidos e sempre serão exaltados a cada ano, porque as nossas esperanças precisam de tais estímulos para ser constantemente renovadas.É fundamental que homens de sua estirpe sejam permanentemente lembrados. De certa maneira, suas vidas são como faróis que nos orientam como defender e a amar a Pátria, e Saldanha da Gama é um desses faróis. Ele é capaz de levar-nos, hoje, àquilo que às vezes esquecemos que abrigamos intimamente. Sim, uma luz intensa que brilha para nós, marinheiros do Brasil, e que sempre precisamos mantê-la viva para poder cumprir nossas missões e alcançar nossos objetivos com proficiência e dignidade.Vemos em Saldanha da Gama um homem que sobreviveu a combates. Um homem que liderou homens, que ajudou a formar tantos outros, que fez da sua vida a Marinha e fez da Marinha a sua vida. Saldanha da Gama permanece como um paradigma de grande marinheiro e estabelece uma conexão importante entre o século XIX e o século XXI.Reconhecemos seu sofrimento, moral e físico, ao retirar-se com dois profundos ferimentos depois da tentativa de ocupar Niterói em nove de fevereiro de 1894, quando se envolveu em terrível luta fratricida durante a Revolta da Armada. Ver a munição acabando, seus homens sofrendo de beribéri e a sensação de que tudo estava chegando ao fim.Essa coragem é o símbolo da firmeza de caráter de Saldanha da Gama, que manteve inabaláveis as suas crenças até as últimas consequências. Não nos cabe tecer comentários sobre as motivações políticas das guerras das quais ele participou, já que tentamos hoje aqui chamar esse homem aos nossos sentimentos. Cabe-nos meditar sobre a fidelidade que ele dedicou àquilo em que acreditava. É essa fidelidade que comemoramos hoje.Se, curiosa ou ironicamente, a curta existência do Almirante Saldanha da Gama teve fim longe dos conveses dos navios que tanto amou, aos 49 anos de idade, em Campo-Osório, RS, caindo do seu cavalo e sendo seu corpo transpassado por lanças portadas por homens que sequer sabiam da sua importância, reconhecemos que as justas homenagens prestadas a esse excepcional oficial de Marinha e grande figura de nossa história serão sempre insuficientes, mas autênticas.Assim, seu nome é ostentado em vários logradouros e estabelecimentos por todo país e permaneceu gravado, por longos anos, na popa de um navio-escola da Marinha brasileira: o incomparável “ALMIRANTE SALDANHA”. E foi em 1908, por iniciativa liderada pelo Clube Naval, que seus restos mortais foram transladados de terras uruguaias para o Brasil e aqui repousam dignamente.Se ainda não tínhamos como certa a necessidade de estarmos hoje aqui, agora sabemos: nossas crenças precisam ser inabaláveis como a deste homem que tão nobremente nos inspira.Esse farol que ele foi deve manter sua luz sempre acesa para que oriente nossos navios e os homens que os tripulam, mantendo-os permanentemente motivados para singrar os mares impondo respeito e altivez em defesa de nossa soberania. Esse homem, o inesquecível Almirante Luiz Philippe de Saldanha da Gama, não foi apenas um herói de seu tempo: ele é um herói até hoje, e sempre o será.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
PIADINHAS DO CAVUCA - 5
O BINGO
João e Maria eram casados. Um dia Maria saiu de casa e voltou lá pelas três da madrugada.
João começou a mexer nas coisas da mulher e encontrou um colar de diamantes.
- Maria o que é isso? , perguntou, preocupado.

- Ganhei no bingo.
João não acreditou, mas também não queria encrenca, e acabou engolindo a desculpa. Dias depois, Maria chegou tarde de novo.
Mais uma vez apareceu uma jóia caríssima entre suas coisas. João voltou a perguntar onde tinha conseguido.
- No bingo! Sabe como é... Acho que é o meu mês de sorte... respondeu Maria.
João ficou indignado. Mais e mais indignado ia ficando, à medida em que ela chegava tarde, sempre com jóias e dinheiro que teria ganhado no tal bingo.
Um dia Maria estava tomando banho para ir ao bingo e acabou a água.
- João! Traz água pra eu acabar de tomar banho! O maridão veio com a água em um copo e entregou para ela, que retrucou:
- Mas como eu vou me lavar só com um copinho d'água?
E o João:
- Lava só a cartela!!!
.............................................................................................
NO QUARTEL
A velhinha entra no quartel e vai direto para o escritório dos oficiais:
- Capitão, eu vim visitar o meu neto, Sérgio Ricardo. Ele serve no seu regimento, não é?
- Serve, sim, mas hoje pediu licença para ir ao enterro da senhora.
...........................................................................................
RECUSA DE EMPREGO
O chefe de departamento de pessoal da empresa justificando para o jovem solteiro porque não vai contratá-lo.
- Desculpe, mas nossa empresa só trabalha com homens casados.
- Por quê? Por acaso são mais inteligentes e competentes que os solteiros?
- Não, mas estão mais acostumados a obedecer.
João e Maria eram casados. Um dia Maria saiu de casa e voltou lá pelas três da madrugada.
João começou a mexer nas coisas da mulher e encontrou um colar de diamantes.
- Maria o que é isso? , perguntou, preocupado.
- Ganhei no bingo.
João não acreditou, mas também não queria encrenca, e acabou engolindo a desculpa. Dias depois, Maria chegou tarde de novo.
Mais uma vez apareceu uma jóia caríssima entre suas coisas. João voltou a perguntar onde tinha conseguido.
- No bingo! Sabe como é... Acho que é o meu mês de sorte... respondeu Maria.
João ficou indignado. Mais e mais indignado ia ficando, à medida em que ela chegava tarde, sempre com jóias e dinheiro que teria ganhado no tal bingo.
Um dia Maria estava tomando banho para ir ao bingo e acabou a água.
- João! Traz água pra eu acabar de tomar banho! O maridão veio com a água em um copo e entregou para ela, que retrucou:
- Mas como eu vou me lavar só com um copinho d'água?
E o João:
- Lava só a cartela!!!
.............................................................................................
NO QUARTEL
A velhinha entra no quartel e vai direto para o escritório dos oficiais:
- Capitão, eu vim visitar o meu neto, Sérgio Ricardo. Ele serve no seu regimento, não é?
- Serve, sim, mas hoje pediu licença para ir ao enterro da senhora.
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RECUSA DE EMPREGO
O chefe de departamento de pessoal da empresa justificando para o jovem solteiro porque não vai contratá-lo.
- Desculpe, mas nossa empresa só trabalha com homens casados.
- Por quê? Por acaso são mais inteligentes e competentes que os solteiros?
- Não, mas estão mais acostumados a obedecer.
CONTOS DO MUNIR - 6
O SUBMARINO SOVIÉTICO
O contratorpedeiro Centauro, de bandeira brasileira, navegava escoteiro executando manobras que o credenciariam para a Operaçâo Unitas.
A bordo, um oficial superior comandante de um submarino, orientando os exercícios anti-submarinos. Súbito, ele alerta ter avistado um periscópio.
O sonar é avisado, binóculos são distribuídos e tem início uma procura intensa na área aproximada do alvo.
O submarino brasileiro Guarani realizava, também, sozinho, seus exercícios em uma distância considerável, e que tornava praticamente impossível ser o seu periscópio.
Pouco tempo depois, a estação rádio do contratorpedeiro, informa ter captado uma transmissão em russo. A bordo do Centauro ninguém falava russo, além do mais o texto parecia estar truncado. A mensagem recebida pela estação rádio e que alguém havia dito que era russo foi remetida ao Estado-Maior, que começou a quebrar a cabeça procurando decifrá-la.
O exercício passou a ser real, o navio entrou em postos de combate, pronto para a guerra.
A ordem do Estado-Maior foi permanecer na área, procurar manter contato, determinar que o submarino viesse à superfície, uma vez que ele estava em águas territoriais brasileiras.
Para isso o Estado-Maior enviou algumas palavras encontradas em um antigo dicionário português-russo, confiscado em um aparelho nos idos de 70, e que deveriam ser passadas por telefone para o submarino. Literalmente as palavras eram: “suba” e “superfície”.
O submarino Guarani recebeu ordem de permanecer na superfície e rumar para a área de operações do contratorpedeiro, a fim de participar na caçada ao submarino pseudo-soviético.
Ficou estabelecido que a operação em curso passaria a ser dirigida pelo oficial submarinista a bordo do contratorpedeiro, em face de sua antiguidade e seus conhecimentos.
Foi montado o plano de busca Tomato A 2 que consistia em percorrer quadrados crescentes em torno da última possível posição localizada do alvo.
O Guarani parece que detecta alguma coisa que classifica como possível submarino. A euforia toma conta das guarnições.
O sonar do contratorpedeiro igualmente mostra o contato e parece não haver mais dúvidas de que o invasor tenha sido descoberto.
Os oficiais e marinheiros da equipe do Centro de Operações de Combate do contratorpedeiro são parabenizados e trocam congratulações com o time do Guarani em um rasga seda de mensagens que só cessa com a intervenção dos comandantes.
O Estado-Maior consegue traduzir algo da mensagem que dizia: “forte ameaça (palavras não traduzidas) ao sul”, o resto da mensagem truncado. Um oficial do Estado-Maior se lembra que na Diretoria de Hidrografia e Navegação existe um companheiro que estuda russo, a mensagem é retransmitida para lá.
A surpresa...
No mar a majestosa baleia parece estar brincando com seu filhote ensinando-o a respirar.
O espetáculo merece ser visto e a caçada é esquecida, mas valeu a pena.
O oficial da DHN esclarece que a mensagem é um alerta geral de uma estação meteorológica soviética com o seguinte significado: ”forte ameaça de tempestade em formação iniciando-se ao sul na Sibéria”
O contratorpedeiro Centauro, de bandeira brasileira, navegava escoteiro executando manobras que o credenciariam para a Operaçâo Unitas.
A bordo, um oficial superior comandante de um submarino, orientando os exercícios anti-submarinos. Súbito, ele alerta ter avistado um periscópio.
O sonar é avisado, binóculos são distribuídos e tem início uma procura intensa na área aproximada do alvo.
O submarino brasileiro Guarani realizava, também, sozinho, seus exercícios em uma distância considerável, e que tornava praticamente impossível ser o seu periscópio.
Pouco tempo depois, a estação rádio do contratorpedeiro, informa ter captado uma transmissão em russo. A bordo do Centauro ninguém falava russo, além do mais o texto parecia estar truncado. A mensagem recebida pela estação rádio e que alguém havia dito que era russo foi remetida ao Estado-Maior, que começou a quebrar a cabeça procurando decifrá-la.
O exercício passou a ser real, o navio entrou em postos de combate, pronto para a guerra.
A ordem do Estado-Maior foi permanecer na área, procurar manter contato, determinar que o submarino viesse à superfície, uma vez que ele estava em águas territoriais brasileiras.
Para isso o Estado-Maior enviou algumas palavras encontradas em um antigo dicionário português-russo, confiscado em um aparelho nos idos de 70, e que deveriam ser passadas por telefone para o submarino. Literalmente as palavras eram: “suba” e “superfície”.
O submarino Guarani recebeu ordem de permanecer na superfície e rumar para a área de operações do contratorpedeiro, a fim de participar na caçada ao submarino pseudo-soviético.
Ficou estabelecido que a operação em curso passaria a ser dirigida pelo oficial submarinista a bordo do contratorpedeiro, em face de sua antiguidade e seus conhecimentos.
Foi montado o plano de busca Tomato A 2 que consistia em percorrer quadrados crescentes em torno da última possível posição localizada do alvo.
O Guarani parece que detecta alguma coisa que classifica como possível submarino. A euforia toma conta das guarnições.
O sonar do contratorpedeiro igualmente mostra o contato e parece não haver mais dúvidas de que o invasor tenha sido descoberto.
Os oficiais e marinheiros da equipe do Centro de Operações de Combate do contratorpedeiro são parabenizados e trocam congratulações com o time do Guarani em um rasga seda de mensagens que só cessa com a intervenção dos comandantes.
O Estado-Maior consegue traduzir algo da mensagem que dizia: “forte ameaça (palavras não traduzidas) ao sul”, o resto da mensagem truncado. Um oficial do Estado-Maior se lembra que na Diretoria de Hidrografia e Navegação existe um companheiro que estuda russo, a mensagem é retransmitida para lá.
A surpresa...
No mar a majestosa baleia parece estar brincando com seu filhote ensinando-o a respirar.
O espetáculo merece ser visto e a caçada é esquecida, mas valeu a pena.
O oficial da DHN esclarece que a mensagem é um alerta geral de uma estação meteorológica soviética com o seguinte significado: ”forte ameaça de tempestade em formação iniciando-se ao sul na Sibéria”
domingo, 23 de agosto de 2009
PIADAS DO CAVUCA - 4
SENSIBILIDADE DE ENGENHEIRO
Um padre, um médico e um engenheiro vão jogar golfe.Têm, então, que aguardar a vez porque um grupo de jogadores extremamente ruins está à sua frente.Não acertam uma única jogada.O padre pergunta ao garoto que está carregando os tacos:
- Quem são esses “pernas de paus”?
- Eles são cegos senhor, responde o garoto. Todos perderam a visão salvando o clube de um incêndio no ano passado. O clube permite que joguem de graça.
- Que chato, lamenta o padre. Vou rezar por eles esta noite.
O médico acrescenta:
- Vou pedir a um colega, oftalmologista, para ver o que se pode fazer por eles.
O engenheiro pergunta:
- E por que eles não jogam à noite ???
*****************************************************
GAÚCHO CAÇADOR
Um avião caiu na mata levando um gaúcho ,um carioca e um paulista. Já estava anoitecendo, a fome bateu e nada pra comer, o paulista diz pro gaúcho:
-Ô gaúcho
, tu que é todo metido a macho, vai lá fora e caça algo pra nós comer.
O gaúcho, sem deixar por menos, mas apavorado, topou. Abriu a porta do avião, deu dois passos. Já estava escuro, e ele enxergou uma onça pintada, e se apavorou. Virou de costas para dar no pé e escorregou. A onça, que já tinha dado o bote, passou por cima do gaudério e foi parar lá dentro do avião.
O gaúcho mais que ligeiro levantou fechou a porta do avião e gritou:
- VÃO CARNEANDO ESSA QUE DEPOIS TRAGO MAIS OUTRA!
********************************************
A BORRACHINHA
Na fila do ônibus estavam o pai e todos seus 16 filhos. Junto deles, um senhor de meia idade, com uma das pernas de pau. O ônibus chegou, a criançada entrou primeiro e ocupou todos os bancos vazios. Os dois senhores entrara
m e ficaram de pé.Na arrancada do ônibus o senhor da perna de pau, com visível dificuldade, desequilibrou-se para trás, e o barulho foi inconfundível:
TOC... TOC.... TOC...TOC...
Quando o ônibus freou, a mesma coisa aconteceu, agora para a frente:
TOC... TOC.... TOC...TOC...
Na arrancada, novamente:
TOC... TOC... TOC...TOC...
E assim foi, por várias vezes.Num determinado momento, já incomodado com o barulho e, ao mesmo tempo tentando ser gentil, o pai das 16 crianças disse ao perneta:
- Perdão, mas eu gostaria de fazer uma sugestão ao senhor.Por que o senhor não coloca uma borrachinha na ponta do pau? Com certeza vai diminuir o barulho e incomodar menos a todos. Imediatamente, o perneta respondeu:
- Agradeço a sugestão, mas se o senhor também tivesse colocado uma borrachinha na ponta do seu, há alguns anos atrás, estaríamos todos sentados numa boa...
'O MINISTERIO DA SAÚDE ADVERTE: USE BORRACHINHA'
Um padre, um médico e um engenheiro vão jogar golfe.Têm, então, que aguardar a vez porque um grupo de jogadores extremamente ruins está à sua frente.Não acertam uma única jogada.O padre pergunta ao garoto que está carregando os tacos:
- Quem são esses “pernas de paus”?
- Eles são cegos senhor, responde o garoto. Todos perderam a visão salvando o clube de um incêndio no ano passado. O clube permite que joguem de graça.
- Que chato, lamenta o padre. Vou rezar por eles esta noite.
O médico acrescenta:
- Vou pedir a um colega, oftalmologista, para ver o que se pode fazer por eles.
O engenheiro pergunta:
- E por que eles não jogam à noite ???
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GAÚCHO CAÇADOR
Um avião caiu na mata levando um gaúcho ,um carioca e um paulista. Já estava anoitecendo, a fome bateu e nada pra comer, o paulista diz pro gaúcho:
-Ô gaúcho
O gaúcho, sem deixar por menos, mas apavorado, topou. Abriu a porta do avião, deu dois passos. Já estava escuro, e ele enxergou uma onça pintada, e se apavorou. Virou de costas para dar no pé e escorregou. A onça, que já tinha dado o bote, passou por cima do gaudério e foi parar lá dentro do avião.
O gaúcho mais que ligeiro levantou fechou a porta do avião e gritou:
- VÃO CARNEANDO ESSA QUE DEPOIS TRAGO MAIS OUTRA!
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A BORRACHINHA
Na fila do ônibus estavam o pai e todos seus 16 filhos. Junto deles, um senhor de meia idade, com uma das pernas de pau. O ônibus chegou, a criançada entrou primeiro e ocupou todos os bancos vazios. Os dois senhores entrara
TOC... TOC.... TOC...TOC...
Quando o ônibus freou, a mesma coisa aconteceu, agora para a frente:
TOC... TOC.... TOC...TOC...
Na arrancada, novamente:
TOC... TOC... TOC...TOC...
E assim foi, por várias vezes.Num determinado momento, já incomodado com o barulho e, ao mesmo tempo tentando ser gentil, o pai das 16 crianças disse ao perneta:
- Perdão, mas eu gostaria de fazer uma sugestão ao senhor.Por que o senhor não coloca uma borrachinha na ponta do pau? Com certeza vai diminuir o barulho e incomodar menos a todos. Imediatamente, o perneta respondeu:
- Agradeço a sugestão, mas se o senhor também tivesse colocado uma borrachinha na ponta do seu, há alguns anos atrás, estaríamos todos sentados numa boa...
'O MINISTERIO DA SAÚDE ADVERTE: USE BORRACHINHA'
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
CONTOS DO MUNIR - 5
O COMANDANTE E O LIVREIRO DO SEBO
O comandante é submarinista, apaixonado por livros. Hoje, além de reformado pela Marinha, está aposentado depois de muito trabalhar na vida civil. Foi jornalista, diretor de um jornal de grande circulação no Rio e no Brasil, diretor de hospital, escritor, correspondente no estrangeiro e ainda tocava seu piano de cauda. Ao sair da casa grande, em que morava no Humaitá, não pôde carregar seu piano de cauda. Na sala do apartamento, em Ipanema, para onde mudara, ele não cabia. Há muito buscava por um livro cuja edição se esgotara. Alguém sugeriu um determinado sebo. O sebo fica na rua Ramalho Ortigão, no centro da cida
de. É uma rua cheia de antigos sobrados do início do século passado. O livreiro mora lá e o sebo está no segundo andar. Sobe-se por uma escadaria de peroba do campo, que resiste bravamente ao ataque de cupins. De corrimão, um tubo de cobre azinhavrado nas junções, por ser utilizado, também, como canalização de água para o andar debaixo, criação engenhosa do construtor português.Na sala espaçosa, montes de livros em todos os cantos, empoeirados e sem nenhuma ordem. O computador ainda vai levar
anos para chegar até lá. O livreiro, senhor de meia idade, usando óculos à Gepeto, (o pai doPinóquio), vive em um quarto nos fundos. Nem precisa de campainha, o barulho da escada anuncia o visitante. Indagou do nosso comandante o que ele desejava, não sem antes dizer que já estava no ramo desde criança. O ponto pertencera a seu pai. Disse ter o exemplar que ele estava procurando e estar pronto a vendê-lo, mas teria de fazer um registro em livro próprio. Escreveu em uma agenda, bem antiga e com muitas anotações, o nome do comandante, o endereço, telefone, idade indagando se era casado. Aí, nosso
submarinista já começou a achar estranho e mais se admirou quando o livreiro perguntou o nome da esposa, dos filhos e de dois amigos. Não se contendo, o comandante pediu explicação para tanto questionamento.
-“Para que toda essa inquirição?? ”
O livreiro explicou:
- "Era a maneira prática de manter o seu estoque de livros sem precisar empregar muito capital. Acompanhava pelo obituáriodos jornais o falecimento de seus clientes. Esperava pela missa de sétimo dia, - (ele procurava ver o anúncio) - e, depois de algumtempo, se apresentava à viúva dizendo saber que o marido tinha muitosl ivros bem usados. Se ela não gostaria de se ver livre daquela velharia. Normalmente, comprava-os todos por uma ninharia. Seguia o exemplo do pai." A presente história foi contada e vivida pelo recentemente falecido Comandante Liwall Sales, grande oficial de marinha, em um almoço de ex-combatentes no Clube Naval (Piraque) e foi escrita após ser submetida a sua aprovação. Na realidade o autor do conto é o próprio Comandante Liwall.
O comandante é submarinista, apaixonado por livros. Hoje, além de reformado pela Marinha, está aposentado depois de muito trabalhar na vida civil. Foi jornalista, diretor de um jornal de grande circulação no Rio e no Brasil, diretor de hospital, escritor, correspondente no estrangeiro e ainda tocava seu piano de cauda. Ao sair da casa grande, em que morava no Humaitá, não pôde carregar seu piano de cauda. Na sala do apartamento, em Ipanema, para onde mudara, ele não cabia. Há muito buscava por um livro cuja edição se esgotara. Alguém sugeriu um determinado sebo. O sebo fica na rua Ramalho Ortigão, no centro da cida
-“Para que toda essa inquirição?? ”
O livreiro explicou:
- "Era a maneira prática de manter o seu estoque de livros sem precisar empregar muito capital. Acompanhava pelo obituáriodos jornais o falecimento de seus clientes. Esperava pela missa de sétimo dia, - (ele procurava ver o anúncio) - e, depois de algumtempo, se apresentava à viúva dizendo saber que o marido tinha muitosl ivros bem usados. Se ela não gostaria de se ver livre daquela velharia. Normalmente, comprava-os todos por uma ninharia. Seguia o exemplo do pai." A presente história foi contada e vivida pelo recentemente falecido Comandante Liwall Sales, grande oficial de marinha, em um almoço de ex-combatentes no Clube Naval (Piraque) e foi escrita após ser submetida a sua aprovação. Na realidade o autor do conto é o próprio Comandante Liwall.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
EXALTAÇÃO AO ALMIRANTE SALDANHA DA GAMA
Postado pelo Companheiro Comte. Edson Jupy
Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer nesta data, anualmente, para homenagear o grande Chefe Naval que foi Luiz Philippe de Saldanha da Gama, que em 12 de abril de 1884 fundou o Clube Naval e foi seu primeiro presidente. É importante considerar esse ilustre militar como se ainda estivesse entre nós, por mais que saibamos que a ocasião em si já remonta a lembranças distantes.
É fascinante a história desse homem do Século XIX, cujo caráter nos faz cultuá-lo até o presente. Trata-se de retomar um elo com algo que perdemos em algum lugar no tempo e nos mares da vida.
Como não perdemos esse elo totalmente, é com um esforço absolutamente compreensível que fixamos os olhos do alto dos passadiços de nossos navios para tentar vislumbrar cidadãos mais responsáveis, um país mais justo, um mundo menos violento, onde possamos, enfim, ancorar nossos destinos e crer na possibilidade de enfrentar mares mais tranquilos. E, sem dúvida alguma, o Almirante Saldanha da Gama é uma inspiração para que possamos manter nossos horizontes plenos de confiança no futuro.
Sua dedicação à vida militar permanece como exemplo de liderança inconfundível, princípios morais e ética inabaláveis e tantas outras notáveis qualidades que em muito orgulham e engrandecem seus descendentes, a Marinha do Brasil e a Nação Brasileira.
Seus biógrafos esmeraram-se em contar uma vida pontuada por feitos heróicos. Para nós, nesta ocasião, seria muito extenso e, por isso, até mesmo incompatível enumerar todos os grandes momentos históricos atribuídos a Saldanha da Gama. Cabe-nos, no entanto, ressaltar que desde muito cedo ele manifestou extrema vocação para a defesa da Pátria.
Com apenas 15 anos, em 1861, foi o primeiro colocado no concurso para a Escola de Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval, tornando-se, assim, aspirante a guarda-marinha com desempenho brilhante ao longo de todo o curso. Em 1864, aos 18 anos, o guarda-marinha Saldanha da Gama viveria sua primeira experiência de guerra: a Campanha do Prata. Embarcado na canhoneira RECIFE, capitânia da Esquadra Imperial Brasileira, então sob o comando do Vice-Almirante Barão de Tamandaré, recebeu seu batismo de fogo. Na tomada de Paissandu pelos navios brasileiros, Saldanha da Gama foi o porta-bandeira do 1º pelotão de fuzileiros da Esquadra que conduziu ataque à cidade. Inúmeras campanhas seguiram-se e Saldanha delas participou sempre com bravura e coragem, sobressaindo-se em Curupaiti, Timbó e Angustura. Finda a guerra, com apenas 23 anos, já no posto de capitão-tenente, regressou vitorioso ao Rio de Janeiro.
Deu continuidade à carreira com total brilhantismo e muito entusiasmo. Comandou nada menos do que seis navios de guerra, os quais em sua gestão primaram pelo impecável aspecto marinheiro e sempre tripulados por homens altamente adestrados e muito disciplinados. Aos 38 anos, como capitão-de-fragata, assumiu o comando do cruzador BARROSO, então orgulho da construção naval brasileira. Seu derradeiro comando no mar, ocupando o posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi no encouraçado RIACHUELO, o mais poderoso navio de guerra nacional da época. Exerceu ainda vários cargos e funções da mais alta relevância no país e no exterior, sendo muitas vezes indicado pelo próprio Imperador D. Pedro II para representar o Brasil em exposições, simpósios, missões de caráter científico e outras atividades. Aos 45 anos, alcançou o posto de contra-almirante.
Decorridos dois anos, no auge de sua capacidade física, intelectual e profissional e desfrutando de grande prestígio entre seus pares e superiores hierárquicos, após difícil e dolorosa decisão, Saldanha rebelou-se em defesa de convicções políticas que julgava as mais acertadas, abdicando de uma carreira já repleta de realizações e com um futuro por demais promissor.
No entanto, os 32 anos de relevantes serviços prestados à Marinha por Saldanha jamais deixarão de ser reconhecidos e sempre serão exaltados a cada ano, porque as nossas esperanças precisam de tais estímulos para ser constantemente renovadas.
É fundamental que homens de sua estirpe sejam permanentemente lembrados. De certa maneira, suas vidas são como faróis que nos orientam como defender e a amar a Pátria, e Saldanha da Gama é um desses faróis. Ele é capaz de levar-nos, hoje, àquilo que às vezes esquecemos que abrigamos intimamente. Sim, uma luz intensa que brilha para nós, marinheiros do Brasil, e que sempre precisamos mantê-la viva para poder cumprir nossas missões e alcançar nossos objetivos com proficiência e dignidade.
Vemos em Saldanha da Gama um homem que sobreviveu a combates. Um homem que liderou homens, que ajudou a formar tantos outros, que fez da sua vida a Marinha e fez da Marinha a sua vida. Saldanha da Gama permanece como um paradigma de grande marinheiro e estabelece uma conexão importante entre o século XIX e o século XXI.
Reconhecemos seu sofrimento, moral e físico, ao retirar-se com dois profundos ferimentos depois da tentativa de ocupar Niterói em nove de fevereiro de 1894, quando se envolveu em terrível luta fratricida durante a Revolta da Armada. Ver a munição acabando, seus homens sofrendo de beribéri e a sensação de que tudo estava chegando ao fim.
Essa coragem é o símbolo da firmeza de caráter de Saldanha da Gama, que manteve inabaláveis as suas crenças até as últimas consequências. Não nos cabe tecer comentários sobre as motivações políticas das guerras das quais ele participou, já que tentamos hoje aqui chamar esse homem aos nossos sentimentos. Cabe-nos meditar sobre a fidelidade que ele dedicou àquilo em que acreditava. É essa fidelidade que comemoramos hoje.
Se, curiosa ou ironicamente, a curta existência do Almirante Saldanha da Gama teve fim longe dos conveses dos navios que tanto amou, aos 49 anos de idade, em Campo-Osório, RS, caindo do seu cavalo e sendo seu corpo transpassado por lanças portadas por homens que sequer sabiam da sua importância, reconhecemos que as justas homenagens prestadas a esse excepcional oficial de Marinha e grande figura de nossa história serão sempre insuficientes, mas autênticas.
Assim, seu nome é ostentado em vários logradouros e estabelecimentos por todo país e permaneceu gravado, por longos anos, na popa de um navio-escola da Marinha brasileira: o incomparável “ALMIRANTE SALDANHA”. E foi em 1908, por iniciativa liderada pelo Clube Naval, que seus restos mortais foram transladados de terras uruguaias para o Brasil e aqui repousam dignamente.
Se ainda não tínhamos como certa a necessidade de estarmos hoje aqui, agora sabemos: nossas crenças precisam ser inabaláveis como a deste homem que tão nobremente nos inspira.
Esse farol que ele foi deve manter sua luz sempre acesa para que oriente nossos navios e os homens que os tripulam, mantendo-os permanentemente motivados para singrar os mares impondo respeito e altivez em defesa de nossa soberania. Esse homem, o inesquecível Almirante Luiz Philippe de Saldanha da Gama, não foi apenas um herói de seu tempo: ele é um herói até hoje, e sempre o será.
Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer nesta data, anualmente, para homenagear o grande Chefe Naval que foi Luiz Philippe de Saldanha da Gama, que em 12 de abril de 1884 fundou o Clube Naval e foi seu primeiro presidente. É importante considerar esse ilustre militar como se ainda estivesse entre nós, por mais que saibamos que a ocasião em si já remonta a lembranças distantes.
É fascinante a história desse homem do Século XIX, cujo caráter nos faz cultuá-lo até o presente. Trata-se de retomar um elo com algo que perdemos em algum lugar no tempo e nos mares da vida.
Como não perdemos esse elo totalmente, é com um esforço absolutamente compreensível que fixamos os olhos do alto dos passadiços de nossos navios para tentar vislumbrar cidadãos mais responsáveis, um país mais justo, um mundo menos violento, onde possamos, enfim, ancorar nossos destinos e crer na possibilidade de enfrentar mares mais tranquilos. E, sem dúvida alguma, o Almirante Saldanha da Gama é uma inspiração para que possamos manter nossos horizontes plenos de confiança no futuro.
Sua dedicação à vida militar permanece como exemplo de liderança inconfundível, princípios morais e ética inabaláveis e tantas outras notáveis qualidades que em muito orgulham e engrandecem seus descendentes, a Marinha do Brasil e a Nação Brasileira.
Seus biógrafos esmeraram-se em contar uma vida pontuada por feitos heróicos. Para nós, nesta ocasião, seria muito extenso e, por isso, até mesmo incompatível enumerar todos os grandes momentos históricos atribuídos a Saldanha da Gama. Cabe-nos, no entanto, ressaltar que desde muito cedo ele manifestou extrema vocação para a defesa da Pátria.
Com apenas 15 anos, em 1861, foi o primeiro colocado no concurso para a Escola de Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval, tornando-se, assim, aspirante a guarda-marinha com desempenho brilhante ao longo de todo o curso. Em 1864, aos 18 anos, o guarda-marinha Saldanha da Gama viveria sua primeira experiência de guerra: a Campanha do Prata. Embarcado na canhoneira RECIFE, capitânia da Esquadra Imperial Brasileira, então sob o comando do Vice-Almirante Barão de Tamandaré, recebeu seu batismo de fogo. Na tomada de Paissandu pelos navios brasileiros, Saldanha da Gama foi o porta-bandeira do 1º pelotão de fuzileiros da Esquadra que conduziu ataque à cidade. Inúmeras campanhas seguiram-se e Saldanha delas participou sempre com bravura e coragem, sobressaindo-se em Curupaiti, Timbó e Angustura. Finda a guerra, com apenas 23 anos, já no posto de capitão-tenente, regressou vitorioso ao Rio de Janeiro.
Deu continuidade à carreira com total brilhantismo e muito entusiasmo. Comandou nada menos do que seis navios de guerra, os quais em sua gestão primaram pelo impecável aspecto marinheiro e sempre tripulados por homens altamente adestrados e muito disciplinados. Aos 38 anos, como capitão-de-fragata, assumiu o comando do cruzador BARROSO, então orgulho da construção naval brasileira. Seu derradeiro comando no mar, ocupando o posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi no encouraçado RIACHUELO, o mais poderoso navio de guerra nacional da época. Exerceu ainda vários cargos e funções da mais alta relevância no país e no exterior, sendo muitas vezes indicado pelo próprio Imperador D. Pedro II para representar o Brasil em exposições, simpósios, missões de caráter científico e outras atividades. Aos 45 anos, alcançou o posto de contra-almirante.
Decorridos dois anos, no auge de sua capacidade física, intelectual e profissional e desfrutando de grande prestígio entre seus pares e superiores hierárquicos, após difícil e dolorosa decisão, Saldanha rebelou-se em defesa de convicções políticas que julgava as mais acertadas, abdicando de uma carreira já repleta de realizações e com um futuro por demais promissor.
No entanto, os 32 anos de relevantes serviços prestados à Marinha por Saldanha jamais deixarão de ser reconhecidos e sempre serão exaltados a cada ano, porque as nossas esperanças precisam de tais estímulos para ser constantemente renovadas.
É fundamental que homens de sua estirpe sejam permanentemente lembrados. De certa maneira, suas vidas são como faróis que nos orientam como defender e a amar a Pátria, e Saldanha da Gama é um desses faróis. Ele é capaz de levar-nos, hoje, àquilo que às vezes esquecemos que abrigamos intimamente. Sim, uma luz intensa que brilha para nós, marinheiros do Brasil, e que sempre precisamos mantê-la viva para poder cumprir nossas missões e alcançar nossos objetivos com proficiência e dignidade.
Vemos em Saldanha da Gama um homem que sobreviveu a combates. Um homem que liderou homens, que ajudou a formar tantos outros, que fez da sua vida a Marinha e fez da Marinha a sua vida. Saldanha da Gama permanece como um paradigma de grande marinheiro e estabelece uma conexão importante entre o século XIX e o século XXI.
Reconhecemos seu sofrimento, moral e físico, ao retirar-se com dois profundos ferimentos depois da tentativa de ocupar Niterói em nove de fevereiro de 1894, quando se envolveu em terrível luta fratricida durante a Revolta da Armada. Ver a munição acabando, seus homens sofrendo de beribéri e a sensação de que tudo estava chegando ao fim.
Essa coragem é o símbolo da firmeza de caráter de Saldanha da Gama, que manteve inabaláveis as suas crenças até as últimas consequências. Não nos cabe tecer comentários sobre as motivações políticas das guerras das quais ele participou, já que tentamos hoje aqui chamar esse homem aos nossos sentimentos. Cabe-nos meditar sobre a fidelidade que ele dedicou àquilo em que acreditava. É essa fidelidade que comemoramos hoje.
Se, curiosa ou ironicamente, a curta existência do Almirante Saldanha da Gama teve fim longe dos conveses dos navios que tanto amou, aos 49 anos de idade, em Campo-Osório, RS, caindo do seu cavalo e sendo seu corpo transpassado por lanças portadas por homens que sequer sabiam da sua importância, reconhecemos que as justas homenagens prestadas a esse excepcional oficial de Marinha e grande figura de nossa história serão sempre insuficientes, mas autênticas.
Assim, seu nome é ostentado em vários logradouros e estabelecimentos por todo país e permaneceu gravado, por longos anos, na popa de um navio-escola da Marinha brasileira: o incomparável “ALMIRANTE SALDANHA”. E foi em 1908, por iniciativa liderada pelo Clube Naval, que seus restos mortais foram transladados de terras uruguaias para o Brasil e aqui repousam dignamente.
Se ainda não tínhamos como certa a necessidade de estarmos hoje aqui, agora sabemos: nossas crenças precisam ser inabaláveis como a deste homem que tão nobremente nos inspira.
Esse farol que ele foi deve manter sua luz sempre acesa para que oriente nossos navios e os homens que os tripulam, mantendo-os permanentemente motivados para singrar os mares impondo respeito e altivez em defesa de nossa soberania. Esse homem, o inesquecível Almirante Luiz Philippe de Saldanha da Gama, não foi apenas um herói de seu tempo: ele é um herói até hoje, e sempre o será.
Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer nesta data, anualmente, para homenagear o grande Chefe Naval que foi Luiz Philippe de Saldanha da Gama, que em 12 de abril de 1884 fundou o Clube Naval e foi seu primeiro presidente. É importante considerar esse ilustre militar como se ainda estivesse entre nós, por mais que saibamos que a ocasião em si já remonta a lembranças distantes.
É fascinante a história desse homem do Século XIX, cujo caráter nos faz cultuá-lo até o presente. Trata-se de retomar um elo com algo que perdemos em algum lugar no tempo e nos mares da vida.
Como não perdemos esse elo totalmente, é com um esforço absolutamente compreensível que fixamos os olhos do alto dos passadiços de nossos navios para tentar vislumbrar cidadãos mais responsáveis, um país mais justo, um mundo menos violento, onde possamos, enfim, ancorar nossos destinos e crer na possibilidade de enfrentar mares mais tranquilos. E, sem dúvida alguma, o Almirante Saldanha da Gama é uma inspiração para que possamos manter nossos horizontes plenos de confiança no futuro.
Sua dedicação à vida militar permanece como exemplo de liderança inconfundível, princípios morais e ética inabaláveis e tantas outras notáveis qualidades que em muito orgulham e engrandecem seus descendentes, a Marinha do Brasil e a Nação Brasileira.
Seus biógrafos esmeraram-se em contar uma vida pontuada por feitos heróicos. Para nós, nesta ocasião, seria muito extenso e, por isso, até mesmo incompatível enumerar todos os grandes momentos históricos atribuídos a Saldanha da Gama. Cabe-nos, no entanto, ressaltar que desde muito cedo ele manifestou extrema vocação para a defesa da Pátria.
Com apenas 15 anos, em 1861, foi o primeiro colocado no concurso para a Escola de Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval, tornando-se, assim, aspirante a guarda-marinha com desempenho brilhante ao longo de todo o curso. Em 1864, aos 18 anos, o guarda-marinha Saldanha da Gama viveria sua primeira experiência de guerra: a Campanha do Prata. Embarcado na canhoneira RECIFE, capitânia da Esquadra Imperial Brasileira, então sob o comando do Vice-Almirante Barão de Tamandaré, recebeu seu batismo de fogo. Na tomada de Paissandu pelos navios brasileiros, Saldanha da Gama foi o porta-bandeira do 1º pelotão de fuzileiros da Esquadra que conduziu ataque à cidade. Inúmeras campanhas seguiram-se e Saldanha delas participou sempre com bravura e coragem, sobressaindo-se em Curupaiti, Timbó e Angustura. Finda a guerra, com apenas 23 anos, já no posto de capitão-tenente, regressou vitorioso ao Rio de Janeiro.
Deu continuidade à carreira com total brilhantismo e muito entusiasmo. Comandou nada menos do que seis navios de guerra, os quais em sua gestão primaram pelo impecável aspecto marinheiro e sempre tripulados por homens altamente adestrados e muito disciplinados. Aos 38 anos, como capitão-de-fragata, assumiu o comando do cruzador BARROSO, então orgulho da construção naval brasileira. Seu derradeiro comando no mar, ocupando o posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi no encouraçado RIACHUELO, o mais poderoso navio de guerra nacional da época. Exerceu ainda vários cargos e funções da mais alta relevância no país e no exterior, sendo muitas vezes indicado pelo próprio Imperador D. Pedro II para representar o Brasil em exposições, simpósios, missões de caráter científico e outras atividades. Aos 45 anos, alcançou o posto de contra-almirante.
Decorridos dois anos, no auge de sua capacidade física, intelectual e profissional e desfrutando de grande prestígio entre seus pares e superiores hierárquicos, após difícil e dolorosa decisão, Saldanha rebelou-se em defesa de convicções políticas que julgava as mais acertadas, abdicando de uma carreira já repleta de realizações e com um futuro por demais promissor.
No entanto, os 32 anos de relevantes serviços prestados à Marinha por Saldanha jamais deixarão de ser reconhecidos e sempre serão exaltados a cada ano, porque as nossas esperanças precisam de tais estímulos para ser constantemente renovadas.
É fundamental que homens de sua estirpe sejam permanentemente lembrados. De certa maneira, suas vidas são como faróis que nos orientam como defender e a amar a Pátria, e Saldanha da Gama é um desses faróis. Ele é capaz de levar-nos, hoje, àquilo que às vezes esquecemos que abrigamos intimamente. Sim, uma luz intensa que brilha para nós, marinheiros do Brasil, e que sempre precisamos mantê-la viva para poder cumprir nossas missões e alcançar nossos objetivos com proficiência e dignidade.
Vemos em Saldanha da Gama um homem que sobreviveu a combates. Um homem que liderou homens, que ajudou a formar tantos outros, que fez da sua vida a Marinha e fez da Marinha a sua vida. Saldanha da Gama permanece como um paradigma de grande marinheiro e estabelece uma conexão importante entre o século XIX e o século XXI.
Reconhecemos seu sofrimento, moral e físico, ao retirar-se com dois profundos ferimentos depois da tentativa de ocupar Niterói em nove de fevereiro de 1894, quando se envolveu em terrível luta fratricida durante a Revolta da Armada. Ver a munição acabando, seus homens sofrendo de beribéri e a sensação de que tudo estava chegando ao fim.
Essa coragem é o símbolo da firmeza de caráter de Saldanha da Gama, que manteve inabaláveis as suas crenças até as últimas consequências. Não nos cabe tecer comentários sobre as motivações políticas das guerras das quais ele participou, já que tentamos hoje aqui chamar esse homem aos nossos sentimentos. Cabe-nos meditar sobre a fidelidade que ele dedicou àquilo em que acreditava. É essa fidelidade que comemoramos hoje.
Se, curiosa ou ironicamente, a curta existência do Almirante Saldanha da Gama teve fim longe dos conveses dos navios que tanto amou, aos 49 anos de idade, em Campo-Osório, RS, caindo do seu cavalo e sendo seu corpo transpassado por lanças portadas por homens que sequer sabiam da sua importância, reconhecemos que as justas homenagens prestadas a esse excepcional oficial de Marinha e grande figura de nossa história serão sempre insuficientes, mas autênticas.
Assim, seu nome é ostentado em vários logradouros e estabelecimentos por todo país e permaneceu gravado, por longos anos, na popa de um navio-escola da Marinha brasileira: o incomparável “ALMIRANTE SALDANHA”. E foi em 1908, por iniciativa liderada pelo Clube Naval, que seus restos mortais foram transladados de terras uruguaias para o Brasil e aqui repousam dignamente.
Se ainda não tínhamos como certa a necessidade de estarmos hoje aqui, agora sabemos: nossas crenças precisam ser inabaláveis como a deste homem que tão nobremente nos inspira.
Esse farol que ele foi deve manter sua luz sempre acesa para que oriente nossos navios e os homens que os tripulam, mantendo-os permanentemente motivados para singrar os mares impondo respeito e altivez em defesa de nossa soberania. Esse homem, o inesquecível Almirante Luiz Philippe de Saldanha da Gama, não foi apenas um herói de seu tempo: ele é um herói até hoje, e sempre o será.
Estamos aqui reunidos, como costumamos fazer nesta data, anualmente, para homenagear o grande Chefe Naval que foi Luiz Philippe de Saldanha da Gama, que em 12 de abril de 1884 fundou o Clube Naval e foi seu primeiro presidente. É importante considerar esse ilustre militar como se ainda estivesse entre nós, por mais que saibamos que a ocasião em si já remonta a lembranças distantes.
É fascinante a história desse homem do Século XIX, cujo caráter nos faz cultuá-lo até o presente. Trata-se de retomar um elo com algo que perdemos em algum lugar no tempo e nos mares da vida.
Como não perdemos esse elo totalmente, é com um esforço absolutamente compreensível que fixamos os olhos do alto dos passadiços de nossos navios para tentar vislumbrar cidadãos mais responsáveis, um país mais justo, um mundo menos violento, onde possamos, enfim, ancorar nossos destinos e crer na possibilidade de enfrentar mares mais tranquilos. E, sem dúvida alguma, o Almirante Saldanha da Gama é uma inspiração para que possamos manter nossos horizontes plenos de confiança no futuro.
Sua dedicação à vida militar permanece como exemplo de liderança inconfundível, princípios morais e ética inabaláveis e tantas outras notáveis qualidades que em muito orgulham e engrandecem seus descendentes, a Marinha do Brasil e a Nação Brasileira.
Seus biógrafos esmeraram-se em contar uma vida pontuada por feitos heróicos. Para nós, nesta ocasião, seria muito extenso e, por isso, até mesmo incompatível enumerar todos os grandes momentos históricos atribuídos a Saldanha da Gama. Cabe-nos, no entanto, ressaltar que desde muito cedo ele manifestou extrema vocação para a defesa da Pátria.
Com apenas 15 anos, em 1861, foi o primeiro colocado no concurso para a Escola de Marinha, instituição que deu origem à atual Escola Naval, tornando-se, assim, aspirante a guarda-marinha com desempenho brilhante ao longo de todo o curso. Em 1864, aos 18 anos, o guarda-marinha Saldanha da Gama viveria sua primeira experiência de guerra: a Campanha do Prata. Embarcado na canhoneira RECIFE, capitânia da Esquadra Imperial Brasileira, então sob o comando do Vice-Almirante Barão de Tamandaré, recebeu seu batismo de fogo. Na tomada de Paissandu pelos navios brasileiros, Saldanha da Gama foi o porta-bandeira do 1º pelotão de fuzileiros da Esquadra que conduziu ataque à cidade. Inúmeras campanhas seguiram-se e Saldanha delas participou sempre com bravura e coragem, sobressaindo-se em Curupaiti, Timbó e Angustura. Finda a guerra, com apenas 23 anos, já no posto de capitão-tenente, regressou vitorioso ao Rio de Janeiro.
Deu continuidade à carreira com total brilhantismo e muito entusiasmo. Comandou nada menos do que seis navios de guerra, os quais em sua gestão primaram pelo impecável aspecto marinheiro e sempre tripulados por homens altamente adestrados e muito disciplinados. Aos 38 anos, como capitão-de-fragata, assumiu o comando do cruzador BARROSO, então orgulho da construção naval brasileira. Seu derradeiro comando no mar, ocupando o posto de capitão-de-mar-e-guerra, foi no encouraçado RIACHUELO, o mais poderoso navio de guerra nacional da época. Exerceu ainda vários cargos e funções da mais alta relevância no país e no exterior, sendo muitas vezes indicado pelo próprio Imperador D. Pedro II para representar o Brasil em exposições, simpósios, missões de caráter científico e outras atividades. Aos 45 anos, alcançou o posto de contra-almirante.
Decorridos dois anos, no auge de sua capacidade física, intelectual e profissional e desfrutando de grande prestígio entre seus pares e superiores hierárquicos, após difícil e dolorosa decisão, Saldanha rebelou-se em defesa de convicções políticas que julgava as mais acertadas, abdicando de uma carreira já repleta de realizações e com um futuro por demais promissor.
No entanto, os 32 anos de relevantes serviços prestados à Marinha por Saldanha jamais deixarão de ser reconhecidos e sempre serão exaltados a cada ano, porque as nossas esperanças precisam de tais estímulos para ser constantemente renovadas.
É fundamental que homens de sua estirpe sejam permanentemente lembrados. De certa maneira, suas vidas são como faróis que nos orientam como defender e a amar a Pátria, e Saldanha da Gama é um desses faróis. Ele é capaz de levar-nos, hoje, àquilo que às vezes esquecemos que abrigamos intimamente. Sim, uma luz intensa que brilha para nós, marinheiros do Brasil, e que sempre precisamos mantê-la viva para poder cumprir nossas missões e alcançar nossos objetivos com proficiência e dignidade.
Vemos em Saldanha da Gama um homem que sobreviveu a combates. Um homem que liderou homens, que ajudou a formar tantos outros, que fez da sua vida a Marinha e fez da Marinha a sua vida. Saldanha da Gama permanece como um paradigma de grande marinheiro e estabelece uma conexão importante entre o século XIX e o século XXI.
Reconhecemos seu sofrimento, moral e físico, ao retirar-se com dois profundos ferimentos depois da tentativa de ocupar Niterói em nove de fevereiro de 1894, quando se envolveu em terrível luta fratricida durante a Revolta da Armada. Ver a munição acabando, seus homens sofrendo de beribéri e a sensação de que tudo estava chegando ao fim.
Essa coragem é o símbolo da firmeza de caráter de Saldanha da Gama, que manteve inabaláveis as suas crenças até as últimas consequências. Não nos cabe tecer comentários sobre as motivações políticas das guerras das quais ele participou, já que tentamos hoje aqui chamar esse homem aos nossos sentimentos. Cabe-nos meditar sobre a fidelidade que ele dedicou àquilo em que acreditava. É essa fidelidade que comemoramos hoje.
Se, curiosa ou ironicamente, a curta existência do Almirante Saldanha da Gama teve fim longe dos conveses dos navios que tanto amou, aos 49 anos de idade, em Campo-Osório, RS, caindo do seu cavalo e sendo seu corpo transpassado por lanças portadas por homens que sequer sabiam da sua importância, reconhecemos que as justas homenagens prestadas a esse excepcional oficial de Marinha e grande figura de nossa história serão sempre insuficientes, mas autênticas.
Assim, seu nome é ostentado em vários logradouros e estabelecimentos por todo país e permaneceu gravado, por longos anos, na popa de um navio-escola da Marinha brasileira: o incomparável “ALMIRANTE SALDANHA”. E foi em 1908, por iniciativa liderada pelo Clube Naval, que seus restos mortais foram transladados de terras uruguaias para o Brasil e aqui repousam dignamente.
Se ainda não tínhamos como certa a necessidade de estarmos hoje aqui, agora sabemos: nossas crenças precisam ser inabaláveis como a deste homem que tão nobremente nos inspira.
Esse farol que ele foi deve manter sua luz sempre acesa para que oriente nossos navios e os homens que os tripulam, mantendo-os permanentemente motivados para singrar os mares impondo respeito e altivez em defesa de nossa soberania. Esse homem, o inesquecível Almirante Luiz Philippe de Saldanha da Gama, não foi apenas um herói de seu tempo: ele é um herói até hoje, e sempre o será.
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