sexta-feira, 12 de novembro de 2010

ARTIGO DO JEZER - 1

AV. NIEMEYER
Por fim as autoridades que cuidam do caótico trânsito carioca, resolveram colocar “tachôes” e, alguns pontos da Avenida Niemeyer, pois era iminente o perigo de um novo acidente grave. Porém, para não fugir do “espírito brasileiro” de se fazer tudo pela metade, colocaram tais elementos em algumas curvas. A citada avenida é uma sucessão de curvas, limitada entre o mar e a rocha, tendo como separação das vias, uma faixa contínua que teria a utilidade de não permitir as ultrapassagens, demonstrando ser uma via com alta periculosidade. Então, questiona-se àquelas autoridades: qual seria causa, plausível, para não dotar a toda a via com os “tachões”, já que eles proporcionariam maior segurança para quem trafega naquela via? Aguardamos resposta.
Jezer Menezes dos Santos Advogado/OAB-RJ 25.839
E-Mail: jezermenezesadv@terra.com.br

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ARTIGO do AUGUSTO ACIOLI

UMA INFÂMIA CHAMADA CPMF

O comprovado cinismo institucional que mais uma vez se desnuda com a tentativa de reimplantação, no Brasil, da extorsão denominada CPMF "Contribuição Provisória de Malversação de Fundos", bem retrata o histórico pouco caso da administração pública brasileira para com os seus cidadãos, os maiores pagadores mundiais de impostos, taxas e juros.

Este assalto à economia popular, ora hibernando na escuridão dos gabinetes de algumas autoridades, engrossou, em passado recente, as malhas de uma rede fiscal já injusta, desigual, superposta e continuada, ajudando a canalizar um inacreditável volume de recursos para uma vala negra depositária do que tem sido desviado da educação, saúde e segurança em favor do vampiresco sistema financeiro nacional.

Este, além de não competir entre si, legitimamente, pois só opera na modalidade de luta combinada, nela encontra o estoque de sangue da população do país, que lhe tem proporcionado um incansável vigor para apresentar crescentes e bilionários resultados contábeis, em prejuízo daqueles que de tanto serem massacrados, tributariamente, qualquer dia ainda poderão vir a ter de pagar ingresso, somente, para transpor as portas giratórias das agências de atendimento, onde depositam salários e o resíduo de suas poupanças.

Mais infelizes, ainda, são os que apesar de não possuírem contas bancárias, se vestirem com andrajos, andarem descalços e morarem nas ruas, pagam, como todos os demais, os acréscimos de preço compensatórios embutidos nos produtos e serviços oferecidos à população.

Chamar a este assalto canetado de "Imposto sobre Cheque" chega a ser ridículo.

Autor: Augusto Acioli de Oliveira

CONTOS DO MUNIR - 50

O MENINO E A GALINHA
Era uma vez um menino que nunca havia visto uma galinha viva. Ele gostava de jogar futebol. Perto de sua casa, havia um campinho em uma clareira no final da subida de uma vila.

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O entorno do outro lado da rua onde ele morava era todo assim. Constituía o acesso a uma montanha de pedra, no alto:- um palacete branco com o nome do dono pintado em letras pretas garrafais, visíveis a longa distância.

Era de um italiano que capengava, lá morava sua família, os filhos subiam e desciam o morro todos os dias para ir ao colégio de freiras.

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Anos mais tarde o monte virou uma favela dominada por traficantes, a mansão foi invadida e até hoje, passados vinte anos os herdeiros brigam na Justiça.

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A primeira residência dava frente para a rua, vivia ali a artista Isis Maldonado, de filmes e televisão. A garotada ficava espreitando para vê-la.
Na moradia de número três uma bela jovem recém-casada sempre se atrapalhava com as novas funções de dona de casa. Ora faltava o pó de café, ou o açúcar para a média do marido já mais idoso, que saia cedo para o trabalho.
A moça competia com a artista em beleza e curvas, os guris do esporte não deixavam de olhá-la.

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Nosso herói descendo do jogo, suado e machucado foi ver o que a moça da casa três queria, quando o chamou, ela lhe pedia se ele não poderia matar uma galinha; iria fazer uma canja para o jantar.
Vestia um robe azul transparente e só.

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Meio assustado ou pela galinha que se debatia com os pés amarrados ou pela atração física despertada, nosso amigo, sentindo-se não muito a vontade com o seu suor, e sujo de sangue, inventou uma desculpa esfarrapada e fugiu.
Depois de tomar banho colou “band-aids” nos arranhados e sentiu um desejo imenso de lá voltar.

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(Interrompendo nossa história:- creio que já conhecem a do carvoeiro chamado ao castelo por uma dama para entregar um saco de carvão e lá chegando, mesmo coberto de pó, foi assediado sexualmente. Regressou à carvoaria mergulhou na banheira e foi ao encontro da diva. Foi recebido assim:- “A hora do carvoeiro já passou”)

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Nosso imberbe não conhecia esse enredo e ansioso, cheio de coragem para matar uma galinha subiu a avenida.
A dona o recebeu ainda usando o mesmo penhoar, e vendo-o de roupa trocada, disse que o sangue que espirraria do pescoço da galinha iria manchar sua camisa. Seria melhor que ele a tirasse.

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O rapaz um pouco mais alto levantou os braços, a moça se pôs nas pontas dos pés para ajudá-lo encostando-se a ele, o robe se abriu mostrando seus seios. Instintivamente, seios e torso nu colaram-se. Pele e carne vibrantes de desejo, ambos excitados pela proximidade se envolveram em um ritual frenético de amor. .

Não teve canja
Autor: Munir Alzuguir

E-Mail:alzumunir@gmail.com

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

ARTIGO DO GUI

DIA DOS MORTOS

Mortos? Que mortos? Ah! Da carne. Espírito é eterno. Dormimos, felizardos, consciência tranqüila 1ª ressurreição. Correr pro abraço. JESUS. 2ª, julgamento, condenação, expiação, pecados. Aprontou hein? Orelha em pé! Árvore sem frutos, fogo, enxofre. Somos governados mais pelos mortos do que pelos vivos. Descobertas, "invenções", são os últimos degráus da imensa escadaria dos cientistas, magos, aiquimistas, profetas, mestres, "bruxos" séculos passados. Superfelizes, sacodem esqueletos dentro dos caixões. Pecado, doença, miséria, morte, castigo, humanidade corrupta, inclusive a maior torcida do planeta MENGÂO.Corinthians ladrão devolve os pontos roubados do Fluminense e do Botafogo. Herança do DEMO. Lázaro, podrão, morto 4 dias. Cérebro 10 min sem oxigênio: cego, surdo, mudo, paralítico ou morto. Mestre: levanta-te e anda! Velocidade daluz, átomos , elétrons, moléculas, células, tecidos, energia, VIDA! Mãe, carocinhos no pescoço? Nada! Quanto mais insistia, mais adiava. Cercada de médicos, filho, pai, marido, irmão, tio, gato, cachorro, papagaio, temia o diagnóstico. Depois do Natal, Ano Novo, Carnaval, Férias. Chega! Ponto final! Reunião da família. Conclusão: Instituto Nacional do Câncer, referência mundial: Carcinoma Imunoblástico. Maligno, localização perigosa. Radiação, não! Quimioterapia 11 seções. Garantia 0, idade 82 anos, tratamento idiossincrásico, um "teleco-teco" desafinado no coração. 5 seções, careca, "moon face" cara de lua, pipocada, "giba de búfalo", disforme pelo corticóide, barriga proeminente, pernas de passarinho. Semicomatosa, escaras de decúbito, feridas pelo corpo. Conversas fúnebres ao pé do ouvido. Faz alguma coisa! Chama o médico! O médico sou eu! Não vai agüentar! Sangue virou água! Mãe, vou fazer corrente de oração. Não! Sou devota de Santo Antônio. Porém, a essa altura do campeonato, MENGÃO namorando a segundona, balbuciou, filho, faça qualquer coisa. Confiante na terra, convoquei amizades. Céu, fax, e-mail, twitter, orkut, exército de anjos, Gabriel, Daniel etc...jejum, branco, ORAÇÃO. Após "dormir", fui trabalhar em Nova Iguassú. Minutos depois, telefone: SUA MÃE...GRAVE! Família esperando. Pensei: faleceu, afetou SNC? Lelé? Convulsão Cerebral? Contrário: saltou da cama, arrancou tubos, soros, antibióticos, aparelhos, e na poltrona, narrava feliz os melhores momentos da sua vida , sorriso orelha a orelha. Curada, hoje veste o MANTO SAGRADO camisa nº11, bate o córner, centra, ela mesma corre, cabeceia, no ângulo, GOL!! Não era sua hora. Harvard Medical School Massachusetts, USA, John Patric, 19 anos, saudável. Traumatismo Crânio Encefálico. Ausência de todos sinais vitais. Pais doam órgãos: Córnea, Fígado, Coração, Rins, Pâncreas. Equipes médicas prontas,1º corte do bisturi.Ai!! Onde estou? Não era sua hora. Michelle Funk, 5 anos, 1 hora num rio congelado. Nenhum sinal vital, 19°C. Universidade de Ontário, Canadá. Sangue quente Oxigenado. Sobreviveu. Não era sua hora. Miami, EUA, Suellen, minha filha, vai com DEUS. Só se ele for no porta-malas! Ah! Ah! Ah! Acidente. Morreram todos 5. Porta-malas intacto, inclusive OVOS. Essa fêz a hora. Esquimós sacrificam os cães, renas para guiar em outras vidas. Pirâmides egípcias, faraós sepultam tesouros, alimentos, criadagem, espôsas, concubinas. Bangladesh, cantam, dançam, rituais alegres,mortos maquiados. Acá morte=perda=sofrimento=lágrimas. Egito, morte dos primogênitos, clamor Faraó. Davi, filho do pecado com Bate-Seba, morte de Absalão. Jó amaldiçoando a existência. Maria, Cristo crucificado, Madalena, molhando os pés do Senhor com lágrimas, enxugando com cabelos. Protestantes, matança Huguenotes, Judeus, cativos do Sião a semear. Cruzadas, Idada Média. Holocausto Nazista. World Trade Center 2º 11 de Setembro. Qual o 1º, esqueceu, tadinho, pimenta nos olhos dos outros...Chile Salvador Allende Imperialismo EUA invasão, massacre, mais mortos do que o 2º, décadas, séculos, dezenas de milhares, palestinos, árabes, jordanianos, na eternidade mióptica da ONU, OMS, crianças africanas, lágrimas que SENHOR JESUS ENXUGARÁ NOSSAS FACES.
Francisco Apocalypse Dantas Médico Escritor
e-mail: apocalypsedantas@uol.com.br

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"A REALIDADE DO AEROPORTO INTERNACIONAL GALEÃO-TOM JOBIM"


Ao ler a nota publicada no Jornal O Globo (Coluna Gente Boa, 2º Cad., 12/10/2010) referente ao lamentável episódio vivido por nossa querida artista Elza Soares, dia destes, ao retornar de Buenos Aires, me senti motivado a divulgar aos leitores do Sauna & Kultura um fato vivido, por mim, na noite de 28/09/2010.

Ao chegar ao Rio de Janeiro pelo vôo GOL G3 7653 (Ezeiza-Galeão) e após o controle de reingresso, me encaminhei ao setor de bagagens onde pude divisar, ao longe, minha mala deslizando na esteira. Infelizmente, algo me fez desviar o olhar, tempo suficiente para alguém não identificado levá-la, passando, tranquilamente pela porta de saída da área de desembarque pois lá não mais existem controladores de equipagens retiradas. A redução de quadros funcionais ou o descaso/incompetência administrativa para com os passageiros podem ser os responsáveis pelas inúmeras conseqüências culposas e/ou dolosas geradas a partir de tais ocorrências.

Foi o próprio passageiro distraído que, ao chegar a Juiz de Fora, MG., seu domicílio, constatando o engano ligou para mim, no dia seguinte, 29/09/2010 (a etiqueta estava por baixo da embalagem plástica de proteção) informando que, ele mesmo, mandaria devolver - naquela mesma data - minha bagagem na empresa GOL para fazer a troca pela de sua propriedade. O que, comprovadamente, realizou algumas horas após.

Acreditem, além dos aborrecimentos e desgaste pessoal de parentes/amigos que me acompanhavam, na ocasião, para registrar a ocorrência no Relatório de Irregularidades Com Bagagem (RIB) com um mínimo de formalidade e segurança, constatei, com espanto, que o funcionário da empresa GOL, Ronaldo, matr. 4732, recusou-se a fornecer seu nome completo e ainda por cima queria reter meu comprovante original de despacho da mala para anexar àquele processo administrativo interno sob a alegação de que não possuía máquina xerox. Graças à gentileza do gerente da loja Duty-Free, por mim acionado, consegui produzir uma cópia daquele documento.

Somente no dia 30/09/2010 fui informado que a companhia GOL iria devolver a mala em meu endereço, no horário comercial, assim mesmo, obrigando, a mim, o passageiro prejudicado e desrespeitado, a assinar um termo de que não iria acioná-la, judicialmente, no Brasil ou no Exterior, por aquela ocorrência.

Talvez, devesse fazê-lo não só por isso como também pelo assento da poltrona (1C) estar deformado e defeituoso, mesa suja com restos de refrigerantes e pedaços de pão colados e paredes fronteiras imundas (tenho foto).

Só consegui sair do aeroporto às 02:00 de 29/10/2010 após um atrasado vôo GOL G3 7653 que deveria haver chegado ao "GALEÃO-TOM JOBIM" às 21h54 do dia anterior.

Para completar minha odisséia, na saída do aeroporto, a Cootramo Turismo (Táxis) cobrou R$ 81,00 (oitenta e um reais) - sem emitir nota fiscal, apenas, uma cartela - pelo traslado até o Bairro Botafogo e debitou em meu cartão de crédito R$ 90,00 (noventa reais), algo que só fui perceber - dado à desgastante seqüência de fatos por que passara - dias após, ao verificar comprovantes de viagem.

Não recebi, sequer, uma carta com um pedido de desculpas por parte das empresa GOL Linhas Aéreas "Mui" Inteligentes S.A. ou Cootramo Turismo, embora, ambas, possuam meu endereço residencial cadastrado e atualizado.

Infelizmente, pessoal, esta é a realidade do principal aeroporto que dispomos na Cidade do Rio de Janeiro, para recepcionar os participantes e visitantes para os Jogos Olímpicos-2016 e partidas locais da Copa do Mundo de Futebol-2014.

Vocês não acham que já deveriam haver sido adotadas e implementadas, por parte das autoridades responsáveis pelo setor, rigorosas ações administrativas em defesa daqueles que por lá transitam?

Autor Augusto Acioli de Oliveira
augao148@gmail.com

domingo, 31 de outubro de 2010

ARTIGO DO GAIUS CAESAR GERMANICUS

"A MILÍCIA DO PRESIDENTE EU NÃO SABIA"
Por:GAIUS CAESAR GERMANICUS
Quando alguém chama Lulla da Silva de “Chefe de Milícias" ou diz que ele se comporta como tal, sofre um imediato processo de ridicularização, através de deboches e ironias de toda ordem, promovido pelo primeiro mandatário brasileiro que coloca a máquina pública a serviço da presidência da república a favor de suas ambições pessoais e político-ditatoriais. Em tais momentos ele esquece, por conveniência, que representa 193.000.000 de brasileiros.
Memorizem bem as fotos, a seguir, pois elas apontam e denunciam quem é de fato o senhor Lulla-Lá.
O cidadão que se encontra à sua esquerda é o petista Sandro Mata-Mosquito, candidato derrotado a deputado federal. O que está posicionado à direita e com a mão no peito do presidente Lulla-Lá teve papel de destaque na baderna realizada durante a passeata do candidato José Serra no Rio de Janeiro.

Essa criminosa ação ocorrida no Bairro de Campo Grande, município do Rio de Janeiro e que descambou para uma agressão ao candidato à Presidência, José Serra, foi desqualificada pelo Presidente Lulla-lá e sua Candidata Dilma Rousseff sob a alegação de que se tratava de um factóide da oposição a seu governo. Mais uma vez,"esqueceram-se" de informar à opinião pública brasileira que os autores da ação são "amiguinhos do peito".
Esses tipos são os integrantes de uma falsa esquerda brasileira que atua, diretamente, ligada à setores da presidência da república. São ultra-radicais-oportunistas dispostos a tudo para não verem suas bandeiras vermelho-sangue sairem do poder. Não existe a menor dúvida de que, caso necessário, pegarão em armas para atacar, seqüestrar e trucidar seus opositores em qualquer lugar do Brasil.
Em caso de dúvida basta olhar a posição dos dedos de suas mãos para melhor definir o real contorno de respectivas intenções de âmbito comuno-sindicalista.

CONTOS DO MUNIR - 49


JOÃO DE DEUS

Era uma vez um marinheiro nordestino chamado João de Deus.

A recordação mais antiga que tenho de João de Deus é a do meu tempo do Colégio Vera-Cruz, um dos poucos colégios do Rio de Janeiro com piscina. Lá estudavam os Feitosas que brilhavam na natação em campeonatos no Brasil e no exterior.
Eu cursava o primeiro ano científico quando ele apareceu na turma, dizia ser do Ceará, caucasiano, alto, alourado, tipo Miguel Falabella, usava um casaco de couro preto e óculos Ray-Ban, (aqueles que apareciam em todas as fotografias de pilotos americanos que uma revista publicava).
Chegava de moto.

Um dia veio de uniforme de sargento do Exército, disseram que ele fora da Escola Militar, como havia pedido para sair, teria que indenizar os uniformes que lhe haviam sido fornecidos ou cumprir um tempo servindo.
Entrei para a Escola Naval, só retomei contato com o João de Deus, anos mais tarde, quando fui promovido a segundo-tenente , designado para servir a bordo de um contratorpedeiro, nas máquinas. Agora o João de Deus, antigo no navio, era cabo especialista em motores, muito elogiado pelo chefe. Breve veio o seu destaque para o Tender Belmonte, um navio de reparos, e a mim coube assinar sua transferência.

À época, o registro da vida dos marinheiros era feito em uma espécie de caderno horizontal, capa de cartolina grossa e escura com folhas de cores diversas para anotações escrituradas manualmente.
Desembarquei um ano mais tarde para a Força de Submarinos, chamado para fazer parte da equipe seleta de oficiais submarinistas.
Em um uma determinada fase do meu curso, a Diretoria do Pessoal da Marinha solicitou o meu comparecimento à Divisão de Movimentação de praças.

Ao me apresentar, trouxeram a Caderneta Registro do João de Deus e perguntaram se a assinatura que constava de sua última passagem era minha. Ao vê-la afirmei que sim, mas, observando cuidadosamente percebi que algumas letras tinham inclinações diferentes e pela data verifiquei que não; já estava na Base de Submarinos naquela ocasião.Era referente ao embarque, meses atrás, do João de Deus em um navio da Força de Transporte, que normalmente realizava viagens ao estrangeiro.

O João de Deus, sargento novamente dessa vez da Marinha, havia embarcado por conta própria. Recebia em dólares, ficara encarregado do equipamento de produção de água potável do navio. Exercia sua função com tanta eficiência que não havia restrição a banho.

Passou assim os quatro meses em que esteve embarcado e o seu azar foi ter sido proposto pelo chefe de máquinas para fazer a próxima viagem ao estrangeiro, quando, então, a Diretoria do Pessoal percebeu que ele não estava lotado oficialmente a bordo.

Era tão prestigiado que ao ser descoberta a fraude, o Comandante do navio quase pediu ao Almirante Chefe da Força de Transporte para que efetivasse de verdade o seu embarque. Foi difícil julgá-lo.

Agora tenho sérias dúvidas se o João de Deus tinha mesmo esse nome e de que parte do Brasil ele veio, ou se ele era um autêntico malandro, talvez carioca.
João de Deus não tinha sotaque.
Hoje João de Deus é assessor de um Ministério.