domingo, 9 de junho de 2013

CONTOS DO MUNIR 007-2013



MENINICES

DISNEY WORLD 2010
Luiza
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Elevador que Cai
 Luiza tem seis anos. É lourinha, os dentinhos da frente já caíram, está junto da mãe na entrada do Castelo. As luzes piscam, apagam-se por alguns segundos. Luiza tem medo. Um holograma mostra um fantasma. A música é fúnebre. Entram no elevador. A porta do elevador se abre e, nos andares, mais fantasmas aparecem. Luiza se agarra à mãe. O elevador sobe mais ainda, para no último andar. Dá para ver a altura em que está por um vidro; lá em baixo, as pessoas parecem pequenas.
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O elevador começa a descer normalmente, um estrondo e começa a cair vertiginosamente.
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Luiza grita: Mamãe! Será que a gente vai sair vivo daqui?
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Ainda assustada, Luiza e a mãe saem do elevador, estavam com fome, estimuladas pelo medo- comer lhes daria a coragem perdida.
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A mãe de Luiza pediu uma pizza de mussarela e rúcula fresquinha. Luiza ao ver a pizza disse:
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-Mamãe! O meu cocô vai ficar verde!

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Helena
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Helena tem três anos. Estava com os pais em um apartamento de um hotel da Disney. Seu avô estava em um quarto no mesmo corredor. Bem cedinho, aproveitando a porta aberta Helena, saiu correndo e bateu no apartamento do vovô.
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-Vovô, eu fiz cocô!
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Deitou-se na cama e começou a tirar a fralda.
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Era muito.
E ela:
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-Olha o meu cocô!
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Alegre, rindo, toda ensopada, o perfume se espalhando.
Gritava radiante:
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-É o cocô da Helena, o meu cocô!
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Por sorte, a faxineira do hotel estava fazendo a limpeza e a fralda foi devidamente descartada.
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Deu muito trabalho, uso de muito detergente, portas e janelas abertas até que o ambiente se tornasse respirável

SHOPPING LEBLON 2013
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Três meninos e uma menina, dois deles mais crescidinhos, a menina e o outro um pouco menores. Estavam em frente à Livraria Travessa. Duas poltronas vagas- o menino menor, Pedro, arremessou sua mochila em uma delas para garantir o lugar, a garota, Marta, fez o mesmo com sua bolsa. Os dois garotos maiores, Marcelo e Carlos Alberto, não deram bola, tiraram a mochila e a bolsa e sentaram.
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Marta chamou o amiguinho que ficara de pé e começou a cochichar no ouvido dele, despertou a curiosidade dos outros dois. Pedro falou para ser escutado:
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-Oba! Vamos sim e começaram a caminhar, a garota liderando.
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Foi o suficiente para que Marcelo e Bebeto se levantassem e passassem a seguir a guria.
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Pedro deu a volta rápido, sentou-se, Marta fez o mesmo.
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Os taludinhos se renderam a astúcia.
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TIJUCA CASA DE VILA
Pedro e Zeca
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Pedro tem oito anos, tinha acabado de brigar com o Zeca, irmão do Bituta, logo fizeram as pazes. Dona Carmem, mãe do Zeca soube da briga, mãe é mãe... Achou que o Pedro era o culpado.
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Dona Carmem, falando de forma não preconceituosa, tem seu IMC* bastante elevado na relação ideal de peso-altura. Só usa vestido tipo camisolão, é muito branca, usa um batom vermelho forte e mesmo em casa põe sombras nos olhos. A gente fica em dúvida se é mesmo pintura ou natural. Dona Carmem é viúva, corre boato de que tenha despachado o marido, depois que soube que ele a traia.
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O Zeca chamou o Pedro para ir a sua casa, iam pegar bolas de gude, Zeca foi até o quarto procurar, jogariam na rua da vila, onde o Zeca morava.
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Pedro ficou sozinho na sala. Dona Carmem ouviu que tinha alguém e saiu da cozinha para olhar. Viu Pedro, com a mão direita nas costas, pegou com a esquerda uns biscoitos em um pote.  
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Falou:
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Pedro, esses biscoitos são uma delícia, você não quer?
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Dona Carmem estava com um camisolão vermelho. Pedro viu pelo espelho da cristaleira o facão de cortar carne.
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Apavorado, cruzou os braços abaixo do estômago, deu meia volta e saiu correndo para a rua.
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Dona Carmem ainda o chamou, mas Pedro já estava longe.
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Desde então, mesmo adulto, Pedro ainda sente um frio percorrer sua vertebral, quando cruza com uma mulher de IMC muito elevado e de vestido camisolão; se for vermelho, então...
*Índice de Massa Corporal.
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

segunda-feira, 20 de maio de 2013

CONTOS DO MUNIR 006/2013



Um Inglês no Carnaval de Salvador-BA
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Esta é uma história real. Nomes, nacionalidades, profissões, lugares foram propositadamente trocados.
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João Araujo é militar, a mulher tem irmã que vive na Inglaterra, todos os anos, passam pelo menos quinze dias em Londres. Lá o médico ortopedista Bill tornou-se amigo da família por socorrer e atender com sucesso o sobrinho deles. Bill, embora casado e com um filho, é gay.
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João, coronel do Exército mora em Salvador, Bahia, em frente ao mar. Em um dos bairros mais nobres da cidade, Rio Vermelho, alguns cantores famosos baianos têm casa lá. A viúva de Alfredo Saad, moradora da cobertura do edifício Chopin, ao lado do Copacabana Palace, mudou-se para lá.
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O médico inglês viu fotos de Salvador, das praias, da Igreja de São Francisco; encantou-se.
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Convenceram João a hospedar Bill em sua casa, quando o inglês viesse ao Brasil. Não veio homofóbico, mas relutante, concordou.
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Era o mês de fevereiro, carnaval.
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O doutor veio só, ficou alojado no apartamento de João, no mesmo quarto onde dormiam os cunhados ao visitar o Brasil. À noite, saiu para ver de perto a batucada.
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O coronel e esposa costumam dormir cedo, ambos não deixam a prática de exercícios pela manhã bem cedo na Academia.
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Era madrugada, quando a secretária da casa bate à porta de João.
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-Coronel, tem gente estranha aqui!
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João, desperto, foi até o quarto do médico; a porta trancada, a luz acesa, bate e chama:- Bill!, Bill
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Sem resposta, insiste. Nada. Espia pela fechadura, não consegue ver o ortopedista, mas vê um rapaz forte sentado na cama. João pega seu revólver. Arrepende-se e resolve deixar o caso para a polícia. Desce vai até a rua, relata o ocorrido a uma radiopatrulha. O Sargento, experiente, chefe da patrulhinha, pergunta, ironicamente, se o cara é gay. Os policiais decidem chamar o BOPE.
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Em menos de cinco minutos, sobem ao apartamento do coronel.
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São quatro homenzarrões, equipados com capacetes e coletes à prova de bala, empunhando metralhadoras; batem e gritam na entrada do quarto inutilmente. Perguntam-lhe se podem arrombar. Diante da resposta afirmativa, derrubam a porta.
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Um policial corre para a janela, os outros três imobilizam o garotão que é revistado e algemado.
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O estrangeiro, vestido de baiana e de peruca loura, está deitado no piso do quarto, o vômito espalhado ao seu redor. Tentativas para acordá-lo são feitas sem resultado. Tinha sido vítima do “Boa Noite Cinderela”.
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O coronel acompanha os policiais até a rua, que perguntam:
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- O que o senhor quer que a gente faça com ele?
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Já, o sargento diz:
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- Tem algum pra nós?
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João dá duzentos reais e diz para levar o rapaz preso.
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O coronel chama a ambulância, o médico só acorda no dia seguinte bem tarde, sua mala está no quarto do hospital, um endereço de um hotel onde já tem um quarto reservado, e a passagem de retorno a Londres já marcada.
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Dois dias depois, a empregada entrega ao dono da casa a meia que achara na gaveta embutida na cama do quarto de hóspedes. Dentro dela, mil e quinhentos dólares.
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Voltando à Inglaterra, João procura Bill e lhe devolve mil e quatrocentos dólares.
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Não diz nada, mas está descontando a propina paga ao sargento da patrulhinha.
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E Bill:
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-Sorry John, but I loved the Bahia Carnival huum, huum...Geez, next year, I’ll be back.
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-Desculpe João, mas adorei a Bahia, Carnaval huum, huum...
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NOOSSA! Ano que vem, eu voltarei.
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

terça-feira, 14 de maio de 2013

ARTIGO DO MUNIR 4


CRÔNICAS E CONSEQUENCIAS 4
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Agosto de 1971 a Policia Civil, cerca o Colégio André Maurois, destitui e prende a diretora Henriette Amado. Os alunos se revezam em vigília inútil por três dias. Depois de algumas semanas de tensão, um grupo, do qual fazia parte o filho mais velho do Comandante Munir, consegue reabrir um diálogo com o novo diretor para reestabelecer, pelo menos em parte, a “Liberdade com Responsabilidade” e organiza, com apoio da direção, um campeonato de futebol entre as turmas do colégio. Até hoje, esse grupo venera o lema da saudosa ex-diretora Carlinhos em sua última crônica parece evocar Henriette no relacionamento disciplinar-hierárquico existente entre tripulantes e oficiais a bordo de um submarino. Por outro lado apesar de ser jornalista e não estrategista, já vislumbrava o emprego do submarino em sua missão mais importante: a defesa de nossa plataforma continental, que sabemos hoje possuir grandes reservas de petróleo.
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O que parecia um inferno astral para o Comandante do Bahia, após a última crônica do Carlinhos, transformou-se em mar de Almirante. O Chefe da Esquadra, também submarinista, orgulhoso de como foram tratados os marinheiros das profundezas, não poupou elogios.
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Munir Alzuguir já integrava a lista para promoção por merecimento, seus temores de ser preterido pelo episódio se dissiparam, quando foi alçado a Capitão de Mar e Guerra ainda no comando do Bahia.

O “passeio de submarino” chegou à Presidência, então Governo Militar, e foi citado como exemplo a ser seguido por autoridades castrenses para o estreitamento das relações entre civis e militares.
Manolo promoveu no Antonio’s um jantar com a oficialidade do Bahia (cavaquinhas deliciosas).

Carlinhos, pouco ligando às críticas de seus companheiros de imprensa, continuava a bebericar seu uísque e fumar seu cigarrinho no canto da boca. Frequentou algumas vezes à casa do agora ex-comandante do Bahia.

Em determinada ocasião, escondeu em seu apartamento um jornalista procurado pela Policia Civil. Nesse mesmo dia, por uma dessas ironias do destino, seu agora conhecido oficial de Marinha, bateu à sua porta, convidando-o para o aniversário de sua filha caçula.

Carlinhos foi; ficou pasmo quando o comandante entregou a ele um pacote amarrado com barbante. Era seu primeiro romance manuscrito, em Vila Velha no Espírito Santo, aos dezesseis anos.
Nunca soube como aquilo fora parar nas mãos de um militar. Depois, em um romance, disse acreditar que o Serviço Secreto da Marinha, “CENIMAR” tinha empreendido busca em sua casa. A história na verdade era bastante diferente: O irmão suicida de um parente do comandante, muito amigo de Carlinhos, pedira que fosse entregue ao agora jornalista de sucesso, o seu primeiro romance, fato omitido propositadamente para evitar tristes recordações.

Dois anos mais tarde, o Comandante Alzuguir, avaliado por uma comissão da Diretoria do Pessoal da Marinha embarcava com a família para os Estados Unidos em missão diplomática na Organização dos Estados Americanos.

Os filhos do Comandante Alzuguir foram matriculados por determinação da Prefeitura de Maryland em escolas americanas; a menina, a caçula, foi alfabetizada novamente em inglês e mais tarde teria seu próprio cursinho.
O menino mais novo, mas muito forte, sofreu tentativas de bullying, sua reação foi tão violenta que botou para correr os zombeteiros e ele passou a ser respeitado na escola.

O do meio, que teria sido um marinheiro excepcional, passou da idade por estar na América. A carreira na Marinha agora é um desejo do seu filho, um garotão lindo hoje com 16 anos e que herdou do pai o dom para o desenho.

O mais velho, estudava engenharia na Universidade de Brasília, embarcou quando o semestre terminou e foi matriculado em uma universidade americana. Hoje, integra o quadro técnico de engenheiros da Petrobras e lidera a concessão do Selo de Eficiência Energética para fogões e automóveis.

Segue a última crônica do Carlinhos. Escrita no Caderno B do Jornal do Brasil no dia 3 de julho de 1970. Uma sexta-feira.

Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ARTIGO DO MUNIR - 3



CRÔNICAS E CONSEQUENCIAS 3
Liberdade com Responsabilidade
Os valores que nós adultos acreditamos, sem discutir, os jovens só aceitam, depois de questioná-los. Certos valores nunca deixarão de existir – aqueles que têm sentido humano e universal.
Henriette Amado
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Henriette Amado era em 1970 a diretora do Colégio Estadual André Maurois. A escola se localizava no Leblon, lá estudavam os dois adolescentes que viajaram no submarino,daí a liberdade dos cabelos compridos.
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Em 21 de junho de 1970, à época em que Carlinhos de Oliveira escrevia suas crônicas, o Brasil venceria a Itália em memorável partida de futebol pelo campeonato mundial.
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O ano de 1970 foi um ano de sucesso -a economia vivia o “Milagre Econômico”.O PIB crescia a mais de 11%, inflação estável.
O Brasil conquistara o tricampeonato, transmitido pela primeira vez pela televisão.
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O General Presidente, Emílio Garrastazu Médici, um ardoroso fã do futebol, ergueria ele próprio a taça de ouro Jules Rimet.
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Transamazônica, ponte Rio-Niteroi, hidroelétrica de Itaipu e Angra 1,planta nuclear, são obras desse tempo.
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Mas, nem tudo eram flores, no ano anterior o embaixador americano fora sequestrado e mais tarde trocado por quinze presos políticos, o governo militar endurecia a perseguição aos contrários ao regime.
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Carlinhos de Oliveira foi duramente criticado por seus companheiros, acusado de simpatia com os milicos. Verdade que o Presidente Médici era ovacionado nos estádios.
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Eram dois réus em julgamento, Carlinhos por seus amigos jornalistas, e o comandante do submarino, por seus superiores; convidara um subversivo e um espanhol para viajar em uma belonave. A preocupação maior era do militar que sentia sua carreira ameaçada.
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Então, as cartas começaram a chegar, endereçadas à Força de Submarinos, à Esquadra Brasileira e ao submarino Bahia, algumas pessoais ao comandante.
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O Jornal do Brasil era lido em todo o território nacional. Muitas cartas revelavam desconhecer que a Nação Brasileira possuía submarinos. Prefeitos de cidades litorâneas ofereciam as chaves da cidade ao Bahia.
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A terceira crônica já mudara o pensamento do Almirante Chefe da Esquadra, ele próprio um submarinista.
Segue abaixo a Terceira crônica:


Publicada no dia primeiro de Julho de 1970 Quarta-Feira

Jornal do Brasil Caderno B
Autor: Munir Alzuguir
E-Mail:alzumunir@gmail.com