sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CONTO DO JOSÉ FRAJTAG -PARTE 4

Viagem de um Arquiteto- parte 4
Logo na chegada, a Las Vegas, fiquei impressionado com o nível de subsídios com que a indústria de jogos incentiva o turismo na cidade. Num hotel de altíssimo luxo, o Hilton, ao qual daríamos seis estrelas, eu estava pagando uma diária simplesmente ridícula, algo como 60 dólares, ou um terço do preço normal neste ano de 1985. No balcão do check-in ainda por cima ia tomando conhecimento de outras amenidades, tais como receber 10 dólares por dia em fichas para começar a jogar. Em seguida o atendente me solicita a minha carteira de motorista. Logo estava imaginando, que iria ganhar o aluguel de algum carrão como brinde, ato contínuo perguntei se poderia escolher a marca do carro. O atendente me olhou como se eu tivesse contado alguma piada muito engraçada. Neste exato instante percebi a minha mancada. A carteira de motorista aqui serve como identidade, e foi apenas para isto que ele a solicitou. Eu me senti um perfeito caipira.

Ficamos estupefatos com o café da manhã, num salão de altíssimo luxo, com mesas gigantescas cobertas de todos os tipos imagináveis de frutas, cereais, salsichas, lingüiças e. champanhe. Isto mesmo, os extravagantes americanos tomam champanhe no café da manhã.

Numa dessas noites, fomos jantar no restaurante “Benihana” dentro do Hilton. Foi inesquecível! É uma famosíssima cadeia de restaurantes japoneses, que existem em várias cidades americanas. Na entrada, o que chamava a atenção era um robô estatua de Buda falante, feito de borracha! "Dizia" movendo os lábios, que tinha sido expulsa do Japão por falar demais e nos convidava a conhecer o restaurante. Achei um sacrilégio, mas enfim, o japonês tem hábitos diferentes dos nossos. Foi um jantar maravilhoso com muitos pratos interessantes. O curioso é que não havia sushis ou sashimis, como era de se esperar. Os pratos são outros e as principais atrações são os próprios cozinheiros, que fazendo malabarismo com a comida, jogam ovos para o alto, quebrando-os em pleno vôo, depois os fritam na chapa, juntando os demais ingredientes que também são jogados para cima. Tudo na sua frente. Ficamos espantadíssimos quando pedimos um drinque chamado Buda. Ele veio à mesa numa estatueta de Buda em cerâmica, com um canudinho espetado em suas costas. Ora Buda é considerado quase um deus pelos orientais. Troquem Buda por Cristo e imaginem o escândalo que isto não seria.
Percorremos os grandes cassinos onde “ganhamos” alguns dólares, não por jogar, e sim por não jogar, assim não os gastamos. Somos completamente avessos a jogo, apenas apreciamos muito ver as decorações esfuziantemente luxuosas, que somente lá é possível ver. Apreciamos também, ver os shows ótimos a preço bem em conta.
Alguns dos cassinos como o Caesar's foram transformados em locais para toda a família, com salas de cinema 180o e fliperamas eletrônicos.
Este salão de jogos eletrônicos me deixou de queixo caído, pois lá já havia jogos com efeitos de 3D alucinantes e na época tudo era uma grande novidade. No incrível Caesar´s Palace, as extensas galerias larguíssimas e com os tetos pintados como se fosse o céu com nuvens, não se percebe se é dia ou noite que são passados admirando-se as dezenas de lojas lindíssimas que lá existem. Hoje está ainda mais sofisticado, porém não causa o mesmo impacto de antes.. Éramos na época como seres pré-históricos andando em locais ultramodernos.
Um “must” são os restaurantes dos Cassinos que servem “buffets” espetaculares. Lagostas, salmões defumados, cascatas de camarões, saladas maravilhosas, carnes ótimas à vontade, por preço fixo, com sucos refrigerantes e sobremesas incluídos nos preços, tudo por U$5,00!!! Em outubro de 1997 estive lá de novo, e o preço estava em U$8,00!!
Os donos dos Cassinos em sua boa parte eram antigos participantes da Máfia, e hoje são homens de bem. Brincamos a respeito, que se o mesmo acontecesse no Brasil, teríamos Cassinos com nomes bem sugestivos, como “Escadinha’s Palace”, “Uê’s Golden”, “Beira Mar” etc.
Las Vegas foi usada como ponto de partida para conhecermos o fabuloso Grand-Canyon. Lá fomos num pequeno avião Cessna, numa viagem das mais emocionantes e que exige um mínimo de coragem para enfrentar, pois o vôo é a baixa altura, a sensação de que se vai cair é constante, principalmente devido à fama destes pequenos aviões. Mas o resultado final é o de um passeio, que ficará para todo o sempre em minha memória.
Em Miami, que já conhecíamos de viagens anteriores, só teríamos dois dias. Aproveitamos pouco no primeiro dia, pois em nossos pensamentos ainda estava o sentimento da perda, pois estávamos ali em função do terremoto ocorrido no México. Mas aos poucos essa idéia foi sendo substituída pela alegria de estarmos vivos e de termos a chance de aproveitar a nossa vida da melhor maneira possível. Alugamos um carro e fomos ver Monkey Jungle e Parrot Jungle, dois pequenos parques dedicados aos macacos e às aves da família dos papagaios, lá passamos horas deliciosas. Neles assistimos a divertidíssimos shows de animais amestrados. Ambos são locais que recomendo vivamente. Foi uma das últimas viagens em que minha ex estava bem de saúde. Poucos anos depois, ela viria a falecer.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

COLUNA DO AUGUSTO ACIOLI

"VALE S.A."
Autor: Augusto Acioli de Oliveira

O bolivariano ataque à VALE S.A., na pessoa de seu presidente Roger Agnelli, procura, aparentemente, demonstrar uma vocação estatizante do governo, quando na verdade mascara a verdadeira intenção de enfiar goela abaixo, na administração da maior mineradora do mundo, uma patota de alinhados executivos, futuros dizimistas políticos. Nos dias que correm não existe mais a preocupação de disfarçar as más intenções, no caso, o absoluto domínio de uma bem sucedida corporação privada nacional, através da fritura midiática de seu principal administrador, para travesti-la em grande cabo eleitoral na corrida 2010. Ah! como aquele caixa está abarrotado. Se de fato os maiores fundos de pensão entraram de cabeça nesta ação coordenada com precisão cirúrgica, é hora de outras grandes empresas brasileiras começarem a botar suas barbas de molho. Acho que assessores do Presidente da República podem estar levando-o a outro equívoco, à semelhança do episódio Honduras, o mais recente. É importante que alguém o informe de que o principal ativo de qualquer corporação é o talento de seu corpo gestor, bem não contabilizável por ser intangível, porém, verdadeiro responsável pelos resultados econômico-financeiros alcançados. A propósito, lanço um desafio: coloquem qualquer um dos postulantes ao comando da VALE S.A. para um debate técnico e público com Roger Agnelli, seu atual presidente, mas não se esqueçam de levar um carrinho de mão para recolherem o que sobrar do temerário desafiante.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

CONTOS DO MUNIR - 12

NÓS MARCIANOS

Quando chegamos, vindos de Marte em nossas naves, viemos sem nossas mulheres. Uma estranha bactéria dizimara a população feminina.
Na Terra a correspondência do tempo nos permitiria viver quase que infinitamente, embora em Marte já tivéssemos quase que atingido a vida eterna.
Lá não era necessário morrer para ceder espaço para os descendentes, não só por marcianos habitarem na linha divisória do espaço-tempo, como também pela nossa tecnologia em viajar para outras galáxias.
Em nossa viagem, a logística providenciara alguns embriões femininos que seriam cultivados in-vitro na Terra, pressupondo que naquela atmosfera não seriam afetados. Entretanto, a cápsula que os continha rompeu-se quando um dos pára-quedas retardadores do choque falhou e os invólucros espalharam-se,mergulhando no oceano, tornando impossível o resgate.
Todos nós marcianos embarcados na nave, sentimos uma grande alegria ao ver na tela de nossos monitores que as mulheres da terra eram belas e correspondiam quase que aos nossos padrões de beleza, porém mais magras. Verdade que os vídeos só mostraram as modelos que pareciam anorécticas.
Os cientistas, encarregados da análise espectral, ficaram contentes ao verificar que poderíamos perpetuar nossa espécie nesse novo mundo.
Contudo, eles projetaram em seus visores o futuro cenário desalentador de nosso relacionamento com as terrestres. Chegamos à desilusão, que, a exemplo do que já havia acontecido numa fábula tibetana terrestre, elas envelheceriam enquanto nós iríamos permanecer jovens e nossos filhos não herdariam a genética marciana.
Na lenda tibetana, revelada pela consulta aos arquivos de nossos computadores, os monges que lá viviam tinham o segredo de retardar o envelhecimento, adicionando rúcula em suas refeições, segredo esse que não era compartilhado com ninguém. Nem com suas esposas. Elas envelheciam e morriam antes. Os monges casavam-se outras vezes.
Para preservar seu mistério, os monges cultivavam a rúcula juntamente com a venenosa cicuta; ambas têm flores brancas e aqueles que os viam colhendo invejavam sua juventude e, não sabendo diferençá-las, cometiam suicídio involuntário.
Até que um dia um jovem monge apaixonou-se por sua mulher e dividiu com ela seu segredo, para que assim ela o acompanhasse até a morte. Foi expulso do Templo, mas o segredo já havia vazado.
Logo percebemos que não seria nossa solução e, apenas, parcialmente poderíamos retardar o envelhecimento de nossas companheiras, com a prática dos ritos tibetanos.
Daí criarmos a Ordem dos Guerreiros Marcianos-OGM. Organização de caráter aparentemente machista, mas, que tinha por missão prolongar ao máximo a beleza das mulheres e fazer cumprir o juramento de entrarmos em estado cataléptico quando a morte delas se aproximasse para criar a sensação que enviuvavam. A OGM arranjaria nossa transferência para longe, aonde o processo continuaria.
Muitos, a exemplo do jovem monge tibetano, apaixonados que ficaram por suas esposas, manifestavam o desejo de quebrar o juramento e morrer de verdade.
O que só fomos saber, passados três séculos, é que o mar, essa eterna fonte de vida da terra, foi lentamente abrindo alguns dos invólucros perdidos em nossa viagem inicial, que continham os embriões femininos, suprindo-os com os requisitos necessários à conservação da vida até que um acaso os levasse a um porto seguro.
Hoje, algumas marcianas estão por aí. Estamos ansiosos que elas um dia encontrem seus pares.
Ps:Procurar ritos tibetanos no Google

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

COLUNA DO AUGUSTO ACIOLI

"Milícias Brasileiras & Desordem Pública"
AUGUSTO ACIOLI
Rio de Janeiro - RJ.

As milhares de fotos e reportagens publicadas pela mídia sobre as milícias do MST, MLST, MAB, Via Campesina etc, alertam e comprovam que grupos divisionistas estão se fortalecendo, no Brasil, com evidente propósito de desmontar e destruir a ordem democrática reconquistada, a duras penas, pelo voto popular.
Portando bandeiras cuja cor vermelha procura sinalizar a seus opositores até que ponto os membros de tais facções estão dispostos a chegar para atingir seus reais objetivos, não mais se preocupam em disfarçar a existência de um braço armado inserido na pregação de um modelo ultrapassado de reforma agrária cuja digital tem origem no início do século passado e que só continua existindo, no Brasil, pela postura revanchista de uma minoria de radicais. Uniformizados, proferindo envelhecidas palavras de ordem, fazendo uso de invejável apoio logístico e caricaturados de trabalhadores descamisados, embora brandindo facões, foices e enxadas como se fuzis fossem (pelo andar da carruagem a troca do equipamento é apenas uma questão de tempo e financiamento), têm partido para o ataque em todo o território nacional através de saques, depredações, destruição e invasões de órgãos governamentais, empresas, centros de pesquisas, propriedades públicas e privadas, bloqueios de rodovias, ferrovias, avenidas, praças, ruas...
Agredindo outros trabalhadores, sequestrando e mantendo pessoas em cárceres privados e, atualmente, também partindo para assassinatos, tais bandos estão convictos de suas respectivas impunidades já que recebem, inclusive, substantivos repasses de recursos arrecadados através de impostos, muito embora não divulguem, amplamente, à sociedade que lhes financia, compulsoriamente, o número de seus CNPJ, se é que os possuem.
Ai daqueles que ao tentarem defender suas propriedades, familiares e empregados, cometam o desatino de enfrentá-los com armas de qualquer tipo, pois essas só eles, os invasores, podem portar.Os contribuintes-vítimas, caso insistam em reagir aos já corriqueiros ataques criminosos, serão presos e processados por atrapalharem a desordem pública e a consolidação de um processo de convulsão social que se encontra em pleno andamento.Seria interessante que tais milicianos fossem deitar suas falações em Cuba, país que, freqüentemente, citam como exemplo de autêntica democracia popular, para sentirem "no lombo", a resposta que levariam da nova ordem que lá se instalou e que pretende passar o apagador na antiga retórica campesina, em face dos seguidos fracassos alcançados na produtividade agrícola.
Quem sabe se contratando competentes técnicos brasileiros, os mesmos que têm sido atacados e desmoralizados, rotineiramente, pelos falsos movimentos sociais tupiniquins, o país do Caribe não venha a se tornar um grande celeiro para o seu povo?
Verdade seja dita, nem tudo dos velhos tempos continua sendo mantido. Cito, como exemplo, as caricatas barbas guerrilheiras mantidas, por décadas, pelos líderes de tais milícias, numa tentativa de associá-los, por semelhança, a seus venerados ídolos marxistas. Procedimento este, em nada diferente daquele adotado nos anos 30, em relação ao ridículo bigodinho usado por um tresloucado e famigerado ditador nazista. A única diferença entre tais discípulos sempre foi o lado da mesa que escolhiam para sentar.
No caso brasileiro, em face do grande espaço alcançado na mídia pelo episódio do "Mensalão", a esmagadora maioria dos companheiros locais tratou de cortá-las, definitivamente, para evitar constrangimentos fotográficos que os associassem a conhecidos personagens políticos indiciados naquele episódio, hoje, igualmente, ex-barbudinhos.
Tenho a firme convicção de que caso esses corriqueiros atos criminosos, acima citados, não sejam eliminados da cena brasileira, o quanto antes, nós, autores de textos críticos sobre o tema, seremos julgados, em futuro próximo, por tribunais revolucionários presididos por bem organizados candidatos ao cargo de Comissários do Povo.
Finalizo com a pergunta que não quer calar:
"Afinal, a quem interessa a existência desses organizados pelotões da desordem pública?"

domingo, 4 de outubro de 2009

PIADAS DO CAVUCA - 10

A LUVA E A CALCINHA

Um jovem estudante, ao passar em uma loja em São Paulo , resolveu comprar um belo par de luvas para enviar a sua jovem namorada, ainda virgem, de família tradicional mineira, a quem muito respeitava.

Na pressa de embrulhar, a moça da loja cometeu um 'pequeno' engano, trocando as luvas por uma CALCINHA!

O jovem, não notando a troca, enviou o presente via SEDEX junto com a seguinte carta:

"São Paulo, 30 de maio de 2005.

Minha Querida,

Sabendo que dia 12 próximos é o Dia dos Namorados, resolvi te mandar este presentinho. Embora eu saiba que você não costuma usar (pelo menos eu nunca te vi usando uma), acho que vai gostar da cor e do modelo, pois a moça da loja experimentou e, pelo que vi, ficou ótima. Apesar de um pouco larga na frente, ela disse que é melhor assim do que muito apertada, pois a mão entra com mais facilidade e os dedos podem se movimentar à vontade. Depois de usá-la, é bom virar do avesso e colocar um pouco de talco para evitar aquele odor desagradável.

Espero que goste, pois vai cobrir aquilo que breve irei pedir ao teu pai, além de proteger o local em que colocarei aquilo que você tanto sonha."

...!!!???

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O ROQUEIRO ASSASSINO

Em um concerto da Banda U2 em Lisboa, Portugal, o vocalista Bono pediu silêncio ao público e depois começou a bater palmas, no ritmo da música que os colegas da banda tocavam.

Ele foi batendo palmas... A música ficando mais suave... Ele olhou para os demais músicos e eles também silenciaram.

Só as palmas ritmadas do Bono ecoavam pelo estádio lotado. Ele foi até o microfone e olhando p'ras pessoas, todas quietas disse, num tom sério:

- Eu quero que vocês pensem nisso: a cada batida de minhas mãos, uma criança morre na África!

Então surgiu uma voz de um português nas arquibancadas, em alto volume:

- Ora, pois, então pára de bater palmas, seu roqueiro assassino!

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LIÇÃO DE VIDA

Esta carta foi enviada ao diretor de uma escola primária que havia oferecido um almoço em homenagem às pessoas idosas da comunidade.

Durante o almoço, uma das senhoras convidadas, de idade avançada, ganhou um rádio, num sorteio realizado com os cupons que foram entregues na porta. Ela escreveu uma carta emocionada em agradecimento aos promotores do evento. Este relato é uma homenagem a toda a humanidade, e serve para refletirmos sobre as relações humanas.

"Caros alunos e membros da direção, Deus abençoe todos vocês pelo lindo rádio que ganhei durante o almoço em homenagem aos idosos! Eu tenho 84 anos e moro em um lar de velhinhos carentes. Toda a minha família já faleceu, eu não tenho mais parentes. Por isso, foi muito reconfortante saber que existem pessoas que ainda levam em consideração o meu bem estar e paz de espírito. Aqui no nosso Lar, divido o quarto com uma companheira mais idosa do que eu - ela tem 95 anos de idade e não pôde comparecer ao almoço, por estar muito deprimida. Durante todos estes anos em que convivemos ela teve um radinho como o meu, que lhe fazia companhia constante. Ela nunca permitiu que eu ouvisse o rádio dela, mesmo quando estava dormindo ou ausente. Há algum tempo, no entanto, o rádio dela caiu do criado mudo e se espatifou no chão.

Foi muito triste para ela, que chorou muito. Então eu ganhei este rádio e no dia seguinte ao almoço ela pediu-me para ouvi-lo, e eu lhe respondi candidamente:

- Nunca, sua velha egoísta !!! De geito nenhum !!! Obrigada por me proporcionarem essa inesquecível oportunidade, pela qual tanto esperei ! "

CONTOS do JOSÉ FRAJTAG - 3

Viagem de um arquiteto - parte 3
José Frajtag/josefrajtag@ymail.com


Ao retornarmos ao nosso Hotel Powell, de San Francisco recebemos recado de Dudú, nosso sobrinho, que telefonava da Grécia e dizia para ligarmos urgente para nossa casa no Rio, pois ele achava que tinha havido um assalto.

Mais do que depressa, ligamos e falamos com Adélia, que tomava conta de tudo, que depois de nos tranqüilizar dizendo que nada de mal tinha acontecido, nos explicou o ocorrido: Acontece que a velhinha espanhola tinha ligado novamente chamando o “Ror’rre”. Adélia, que nada sabia da sua existência, lembrou que Dudú, nosso sobrinho, chamava-se Jorge Eduardo. Achando que o “Ror’rre” fosse ele, deu-lhe o telefone da Grécia.

A pobre da velhinha ligou para lá, falou com Dudú, dizendo que a casa dela tinha sido assaltada. Ai foi a vez de Dudú achar que era ela quem tinha ficado na nossa casa. Foi uma confusão que terminou com mais um telefonema para a Grécia e muitas gargalhadas.

No dia seguinte estávamos com carro alugado e viagem marcada para Yosemite Park (a pronuncia é estranha - Yossémiti). Para aproveitar bem o pouco tempo que nos restava, tivemos de sair de San Francisco às 3h da manhã, para iniciar o passeio. Tontos de sono, mas confiantes iniciamos o trajeto. O que não sabíamos é que em San Francisco ocorrem pesados nevoeiros, onde não se enxerga mais que dez metros da ponta do carro, isto mesmo se fosse de dia. Devido a isso, eu que estava no volante, dirigi com velocidade reduzidíssima até ultrapassar a região da névoa. Quando estávamos saindo dela começamos a ouvir um estranhíssimo barulho. Vocês imaginem, isso era às 4h da manhã, escuro como breu, com neblina e nós com sono. Nos meus devaneios achei que fosse uma esquadrilha de helicópteros ou, quem sabe, de discos voadores, pois o som era muito estranho mesmo. Aos poucos fomos conseguindo enxergar e fiquei impressionado. Centenas ou mesmo milhares de moinhos de vento, rodando para a produção de energia elétrica. Nada tinha lido a esse respeito. Só lá é que soube da sua existência, num tremendo susto.


A aventura ainda teve mais uns lances de emoção, pois descobri que a estrada que pegamos foi a pior alternativa possível. Só soubemos disso ao chegarmos a Mariposa, uma deliciosa mini-cidade (Que tinha na época uns cinco mil habitantes no máximo) junto ao Parque. A estrada que pegamos era estreitíssima, cheia de curvas violentas, em ladeira e ao lado de abismos colossais. Naquela escuridão e com o sono que eu sentia, começou a ficar perigoso. Não tive alternativa, senão tirar meia hora e dormir num acostamento para aguardar o dia clarear e para me recuperar um pouco. Ao acordar as coisas ficaram mais fáceis e conseguimos chegar sem problemas a Mariposa. Lá nos hospedamos num simpático hotel familiar, o “Mariposa Hotel”.

O parque de Yosemite vale quaisquer sacrifícios necessários para lá se chegar. Aqui existem sequoias um pouco diferentes das de Muir Woods. Estas daqui são extremamente grossas alem de altíssimas.
Uma era tão grossa, que tiveram uma grande ousadia (Certamente um crime ecológico, mas um crime que compensou!); Há quase cem anos, quando não havia essas considerações ecológicas, escavaram um túnel numa delas, a Wawona, que permitia a passagem de dois carros simultaneamente. Esta árvore acabou caindo vitimada por um raio, há poucos anos, ficando de lembrança apenas os seus destroços. As paisagens são deslumbrantes, muitas são usadas naqueles posters murais que ficaram tão em moda. São locais que nos levam a profunda contemplação.


No parque está a “El Capitán” Uma montanha rochosa que parece cortada à faca. É muito usada pelos malucos americanos que daqui saltam de parapente, ou de “bungee jump”, com aquelas tiras de borracha presas ao corpo. Existem muitos lagos, várias cascatas, sendo que uma delas é a segunda ou terceira mais alta do mundo, lindíssima, e fica bem perto da “El Capitán”. Na saída Oeste do parque, num lugar chamado “Tuolomne Meadows” atinge-se de carro uma altitude de 3500m.


Voltamos à S. Francisco. Desta vez pela estrada correta, graça a indicação da dona do hotel de Mariposa. A nossa intenção era ir em seguida para Las Vegas. Na agência da Varig fomos confirmar a etapa seguinte, que seria ir à cidade do México, daí a dois dias. Quase caímos no chão de susto, pois soubemos que lá tinha havido um terrível terremoto e o nosso hotel tinha sido destruído. Escapamos da morte. Depois de absorvido o impacto da notícia, tristes com a enorme perda de vidas, ligamos para os pais de minha mulher, para minha mãe, para Adélia e para a irmã de minha ex. na Grécia, que a essa altura preocupadíssimos com a falta de notícias já nos julgavam mortos ou feridos. Ficamos muito tristes pelos Mexicanos, porem determinados a aproveitar que ao menos nós estávamos vivos. Isto nos deixou eufóricos. Alteramos o trajeto para terminarmos a viagem em Miami. O seguro de viagem nos ressarciu mais tarde dos prejuízos.
Abraços de José Frajtag

sábado, 3 de outubro de 2009

CONTOS DO MUNIR - 11

O TORPEDO

Era comprido de uns três metros de comprimento, cilíndrico, reluzente, parecia de bronze, em sua cauda tinha um hélice, na outra extremidade uma ogiva pintada de amarelo, normalmente carregada de explosivo, em tempo de paz era cheia de água que se esvaziava por ar comprimido ao final da corrida. Funcionava por turbina a álcool, tinha um giroscópio para manter sua direção, corria em velocidade maior que a dos navios de sua época, segunda guerra mundial. Era o terror dos navios de superfície, especialmente quando era lançado de um submarino. Os contratorpedeiros também os lançavam contra outros navios. Na Marinha Brasileira eram de procedência americana.

Esta é a historia que vamos contar: o tenente encarregado do armamento e de lançar o torpedo tem relativa importância, uma vez que, parece, o torpedo adquiriu vida, criou sua própria personalidade e seu comportamento foi quase racional, traçando seu rumo e selecionando seu alvo.
Era um exercício de adestramento, o torpedo veio para bordo acompanhado de técnicos de avental branco, ferramentas complicadas abriram suas entranhas e começaram uma operação cirúrgica. Meu companheiro, o tenente encarregado do armamento era um atento espectador.

Nosso contratorpedeiro já se encontrava na raia definida para o lançamento.
O comandante ansioso para mais uma experiência
O comandante com o problema de tiro resolvido para atingir o alvo; um flutuante situado a duas milhas, puxado por um rebocador. Seria uma trajetória reta no sentido navio alvo.
O navio já havia corrido a raia de lançamento pela terceira vez. Aguardava-se apenas o pronto do torpedo que parecia gemer ao exalar seus suspiros de ar comprimido.
Nosso tenente era o responsável pela operação. Na justa hora em que subiu a escada de acesso ao passadiço e se apresentou orgulhoso para pessoalmente informar que o torpedo poderia ser lançado, ouve o comandante já com a paciência perdida, dizer, quase gritando, para o oficial de operações chamar “o incompetente encarregado da faina”. A continência de meu companheiro estava a meio caminho e o “pronto comandante” saiu logo em seguida. Foi sincronismo.

Naquela época eram raros os helicópteros, um avião monomotor da Força Aérea era o observador do tiro. Finalmente o torpedo é lançado. Inicia sua corrida.

O vigia dá um grito alarmante: torpedo a bombordo!
O torpedo em vez de seguir sua normal trajetória reta em direção ao alvo faz uma curva louca para a direita passa pela nossa popa, continua seu giro, aumenta a velocidade e vem direto para atingir nosso navio.
O comandante guina pede máquinas adiante a toda força em uma verdadeira manobra evasiva. Ainda dá para ver sua esteira.

Outro berro do vigia: torpedo pela proa!
Nova manobra evasiva, o comandante suplica gritando: máquinas atrás flank, o torpedo desaparece.
O clímax só é atingido quando o observador aéreo, codinome “ÁGUIA” manda pelo radio: “Parabéns pelo tiro, o torpedo está fazendo círculos perfeitos, repito, círculos perfeitos”.
O comandante rubro levanta os braços com os punhos cerrados e parece que ouvimos um palavrão.
Não aconteceram mais gritos dos vigias e nem a voz de “ÁGUIA” pelo rádio. Ainda ficamos algum tempo procurando o torpedo.
O jornal “O GLOBO” publicava no dia seguinte:

Quando encerrávamos esta edição, as autoridades navais eram informadas que um barco de pesca havia recolhido um grande torpedo, intacto, em alto mar e o levara para a Praça Quinze. Foram logo determinadas providências para apreensão do engenho de guerra”.